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Depoimento: Sâmia Cardeal

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Se jogar de cabeça no que está por vir em busca da realização de um sonho. Esse é com certeza o maior ensinamento que a leitora Sâmia Cardeal tem para nos dar hoje! Ela saiu de Maceió-AL e foi parar em Macapá-AP, a quase 3 mil km de distância da sua cidade natal, para assumir o cargo de Jornalista no Instituto Federal do Amapá (IFAP).

Em maio do ano passado ela me enviou uma mensagem dizendo “Mari, acho q consegui kkkkk. O próximo depoimento, se Deus quiser será o meu”. E eis que alguns meses depois, já empossada, ela vem aqui para cumprir a promessa!

Parabéns pela aprovação e pela coragem de largar tudo pelo seu sonho de ser servidora. Sei na pele o quanto é difícil a gente mudar de cidade, de vida, em busca desse sonho. Que você seja muito feliz em seu novo emprego, nessa nova vida, e obrigada por dividir um pouco dessa história conosco!

Vamos ao depoimento?

“Olá, Sou Sâmia Cardeal, publicitária e jornalista. Gostaria de compartilhar um pouquinho da minha trajetória no mundo dos concursos. Foi fácil? Não!!! Mas, nada é impossível para quem tem fé. Espero ajudar e estimular a todos…

Sou alagoana de Maceió, como vocês bem sabem para área de comunicação os concursos são raros, e quando aparecem as vagas são pouquíssimas. Passei um tempo desacreditada, nunca pensei que passaria. Mas, lendo os depoimentos dos Jornalistas Concurseiros comecei a ver que todos nós temos capacidade para alcançarmos nossos objetivos. Cada relato foi muito importante para minha evolução.

Aproveito o momento para agradecer! Sempre tive o sonho de ser servidora pública federal. Muitas vezes achei que seria impossível, até que um dia comecei a focar nos estudos e ter mais fé. Foram muitos cursinhos, materiais, viagens, madrugadas estudando, abdicações de muitas coisas, até que chegou o grande dia, minha nomeação estampada no Diário Oficial da União.

Hoje moro em Macapá, sou jornalista do Instituto Federal do Amapá, campus Santana. Cada dia uma nova experiência. Não é fácil mudar de cidade, mas quando as coisas estão nos planos de Deus tudo vai se encaixando. Sou feliz no meu novo trabalho.

Para quem está tentando uma vaga tenho algumas dicas: Não desista; peça muito discernimento a Deus, afinal Ele sabe o que é melhor para nós; faça exercícios da banca, pois sempre cai no mesmo estilo; mantenha a calma e seja humilde, não tenha vergonha de conversar com as pessoas sobre sua luta, isso me ajudou muito. Foram muitas tentativas… Notas altas, como também notas baixíssimas.

Resumi ao máximo minha história, pois é enormeeeee….. Se alguém precisar de algum material, dicas sobre o Norte, palavra de apoio, só chamar no Face.

Desejo para todos muito sucesso e que vocês sejam nomeados em breve (sensação perfeita). Que Deus ilumine a caminhada de vocês… Nossos sonhos e esperanças não passam em brancas nuvens sob o olhar de Deus…

Sua hora vai chegar! Feliz 2017”

Depoimento: Jorge Luiz

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Eis que o blog está de volta com mais um depoimento vencedor! Hoje é o dia do Jorge Luiz, aprovado no concurso público do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e, agora nomeado, esperando a posse que será em dezembro. Vivaaaaa!

Esse menino tem uma história incrível de sucesso e superação, teve que enfrentar muitos desafios, trabalhando muito e estudando mais ainda para conquistar essa vaga! Fé, coragem, determinação e a ajuda dos familiares foi fundamental! Me emocionei bastante! É difícil segurar as lágrimas quando a gente vê uma história tão bonita!

Ele ainda traz umas dicas interessantes que deram certo para ele, até a parede da casa virou local de estudos! Achei isso o máximo!

Jorge, desejo pra ti todo o sucesso do mundo nesse novo trabalho! Você é um guerreiro e merece demais essa conquista!

“Olá, pessoal. Sou Jorge Luiz e, neste ano, fui aprovado no concurso público do IFPE. Vou contar um pouco da minha trajetória e espero ajudar e estimular todos e todas que estão neste caminho árduo que é a aprovação em um certame.

Deus

Desde o momento que saiu minha aprovação, em abril de 2016, digo às pessoas próximas a mim que essa vitória deve-se a Deus (99%) e ao meu esforço (1%). Repito isso porque sei que, atualmente, os candidatos estão ultrapreparados e não existe “o melhor”, e sim “os melhores”. E, na nossa área, muitas vezes, é apenas uma vaga. Outro ponto é que eu tinha que me virar nos 30: trabalhar no meu emprego temporário, cuidar da minha empresa, cursar outra faculdade, lecionar, cuidar da minha vida pessoal e preparar-me para uma prova de concurso.

Em Marcos, Capítulo 5, versículos de 31 a 34, Jesus estava cansado e decidiu ir com os apóstolos para um local mais afastado a fim de descansar um pouco. Só que a multidão descobriu para onde ele estava se dirigindo e chegou antes dele. Ao ver aquele povo aflito, a bíblica revela que “quando saiu da barca, Jesus viu uma grande multidão e teve COMPAIXÃO, porque eles estavam como ovelhas sem pastor. Então, começou a ensinar muitas coisas para eles e operar milagres”.

Eu era essa multidão. Estava aflito e cansado. Jesus teve compaixão de mim, saiu do barco e operou um milagre. Como sou grato a Deus por todas as bênçãos. Deus teve compaixão de mim e terá de você também, desde que faça sua parte.

Agora vou mostrar como foi esse 1% de esforço…

A primeira preparação

Quando iniciei a primeira graduação, minha tia Maria (a qual amo muito) foi a grande incentivadora para que eu me preparasse para provas de concurso a fim de ter uma vida mais estável e tranquila. Na época, eu trabalhava como assessor de imprensa na Câmara de Vereadores da minha cidade. Como boa parte dos estudantes de jornalismo, não dei bola e só queria atuar em televisão, porque, além de achar interessante, eu pensava que ganhava bem. Ledo engano. Kkkkkk

Esforcei-me e consegui estágio em uma TV local e continuei trabalhando na assessoria de imprensa na Câmara. Foi aí que a ficha caiu e vi como nosso ofício não é valorizado e como ele precarizou ainda mais, em 2009, quando o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Gilmar Mendes, destruiu a profissão de jornalista em uma canetada.

Após a triste realidade do mercado privado e de ter sido exonerado da Câmara no final de 2008, comecei a pensar melhor no conselho de tia Maria e me interessei por concursos.

É lógico que, durante a graduação, cheguei a fazer algumas provas, mas sem a devida dedicação e entusiasmo.

Foi então, em 2009, que foquei no meu primeiro concurso para trabalhar na FUNASA (Fundação Nacional de Saúde).

Nesse mesmo ano, fui empregado em um museu de Caruaru, o “Museu do Barro” e tinha tempo para me preparar, pois só trabalhava meio expediente.

A preparação foi de quatro meses para a prova. Durante a semana, estudava uma média de oito horas por dia e, nos fins de semana, 12 horas.

A prova ia ser em Maceió e eram em torno de 20 vagas para técnico administrativo. Quando saiu a concorrência, quase desisti. Estavam inscritas 3.434 pessoas. Corri para informar a tia Maria que não iria fazer mais a prova, pois estava muito alta a concorrência e fazia apenas poucos meses que eu estava estudando. Seria um gasto desnecessário me deslocar de Pernambuco para Alagoas.

Prontamente, tia Maria me repreendeu, disse que era para fazer a prova e que ela mesma me levaria.

Assim, fiz a primeira prova para a qual realmente havia estudado. A banca foi a FGV (Fundação Getúlio Vargas) e a prova foi maravilhosa. Não deu para ser aprovado, mas fiquei na posição 90 na correção das provas objetivas. Ainda hoje tenho guardado o papel com essa nota. Kkkkk

A partir dessa experiência, vi que era possível ser aprovado em um concurso público.

As intercorrências da vida. Porém, tudo é no tempo de Deus

No segundo semestre de 2009, após a prova da FUNASA, assumi a coordenação do Museu do Barro e, a partir disso, não tive mais tempo de estudar para concursos. Era dedicação exclusiva às atividades do Museu. Isso foi uma tendência nos anos seguintes, quando comecei a trabalhar na Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Caruaru.

Ao longo dos últimos sete anos, minha vida era trabalho, trabalho, trabalho e, quando sobrava tempo, estudava. De quebra, em 2014, abri uma pequena empresa de Comunicação e voltei a cursar outra graduação na UFPE, que depois abandonei.

Paralelo a esse corre-corre dos últimos sete anos, fiz coisas importantes que considero fundamentais para a minha aprovação:
– A primeira foi formar uma biblioteca para concurso. Todo ano comprava uma média de cinco livros.
– Conheci e comecei a acessar frequentemente o site Jornalistas Concurseiros, de Mariana Mazza. O site me ajudou fortemente na busca por livros corretos para comprar, como também me dava injeção de ânimo ao ler os depoimentos dos colegas aprovados. (Quero aproveitar e agradecer a Mariana por tudo. Que Deus te cubra de bênçãos.)
– Fazia apostilas com várias questões de concurso e, esporadicamente, resolvia algumas provas.
– Todo ano eu tinha de fazer pelo menos dois concursos na área de jornalismo.
– E, por fim, estudava uma média de duas horas pelos livros que comprei.

O resultado de poucas horas de estudo eram várias reprovações.

Eu acreditava que só passaria em um concurso se parasse de trabalhar. As notas eram até boas para quem não se dedicava. Acertava uma média de 60% da prova, mas não era suficiente para a aprovação.

2015 foi o ano de mudar de atitude, já que não podia mudar a realidade.

No segundo semestre do ano passado (2015), ocorreu uma onda de demissões na Prefeitura de Caruaru por perseguição política. (Isso acontece com frequência em cidades pequenas como a minha). Eu não fui demitido, graças a Deus e graças à dedicação e ao empenho que sempre tive com o meu trabalho. Mas isso me deixou profundamente triste. Vi pais e mães de família desempregados, sofrendo. Inclusive, conhecia muitos deles.

Foi daí que decidi mudar de postura e atitude, já que não podia mudar a realidade externa. Soube que a UFRN iria abrir vagas de concurso para o cargo de jornalista. Baixei o edital, esquematizei-o, separei livros e apostilas, comecei a me dedicar uma média de oito horas de estudo por dia, durante a semana. Já nos feriados e fim de semana, estudava umas 12 horas.

Estudava no trabalho, na minha empresa, na fila do banco, no ônibus, à espera de um atendimento. O tempo ocioso era todo preenchido. (Vale destacar que isso não me impediu de fazer o meu trabalho bem feito. Continuei me dedicando com afinco às minhas atividades profissionais, pois ela é quem me dá dignidade).

O período mais calmo para estudar era à noite, quando chegava em casa. Começava às 20h e ia até uma ou duas horas da madrugada. Depois, rezava e ia dormir.

Tinha madrugada que eu olhava para o céu, por meio da minha janela, e caía uma lágrima no caderno ou no livro. O terço de Nossa Senhora estava sempre perto do material de estudo. Sempre que dava, eu rezava com ele.

Essa maratona durou três meses. Viajei para Natal, fiz uma prova maravilhosa e fui para a segunda fase da seleção, a correção da redação. Não fui aprovado, mas fiquei numa boa colocação, levando em consideração o número de inscritos. Eram duas vagas. Inscreveram-se 476 jornalistas. Fiquei na posição 40.

Agradeci a Deus o resultado, pois pedi a Ele que minha redação fosse corrigida e assim aconteceu.

A aprovação

Continuei estudando o restante do ano de 2015. Não de maneira frenética, mas com constância. No início de 2016, tirei férias do trabalho e da minha empresa. Renovei as energias e, quando retornei do carnaval, tomei conhecimento de que o IFPE havia aberto concurso público. Pulei de alegria e comecei a focar nesse certame. Faltavam três dias para acabar minhas férias. Foi o tempo suficiente para imprimir edital, esquematizá-lo, fazer planejamento de estudo com metas, separar livros, comprar outros e começar a batalha.

Tive apenas 44 dias para estudar o conteúdo extenso do IF e ainda hoje não sei como eu dei conta. Kkkkk Foi Deus. Só pode ter sido Ele. Kkkk

A primeira providência foi pegar todas as provas do IFPE para ver o estilo da banca e resolver as questões. Não dava para perder tempo. Ao longo dos sete anos de trabalho, eu cheguei a prestar dois ou três concursos do IF e tinha essas provas no meu material de estudo.

Paralelo à resolução de questões, comecei a elaborar uma apostila/resumo com base no que o edital cobrava e com o apoio dos livros de jornalismo que eu tinha.

Foi nesse momento que percebi que estava estudando errado por alguns autores e perdendo munição. Constatei, por meio das provas anteriores, que os autores mais cobrados eram Ferraretto, Torquato, Kunsch, Bacellar e Fabíola de Oliveira. Eu estava focando, erradamente, em Jorge Duarte. Comprei os livros desses autores e corri para estudar.

Em relação ao conteúdo de Português, peguei na internet as provas anteriores do IFPE. Mas fui além. Imprimi também as provas do IF de nível de doutorado e comecei a estudar por meio delas. Eu precisava me preparar para o chumbo grosso. Também utilizei videoaulas com a professora Maria Augusta do cursinho CERS. (Quero agradecer a minha irmã Amanda que me cedeu esse material. Heheheh)

Após a leitura dos livros e confecção das apostilas, eu precisava fazer três revisões como ocorreu para a prova de Natal. Só que não deu tempo e só tive direito a duas revisões: uma revisão com leitura detalhada e confeccionando mapas mentais e outra revisão com leitura dinâmica com o auxílio dos mapas mentais.

Nunca tinha usado mapas mentais para estudar. Na verdade, nem sabia que era esse o nome que se dava aos papeizinhos colados na parede e guarda-roupa. Kkkkkk Meu quarto ficou lotado de papeizinhos e como só tinha uma semana para revisão, criei uma estratégia: dividi as paredes do quarto em dias da semana. Cada dia, eu tinha que revisar aquele conjunto de mapas mentais. Assim fiz até o sábado, um dia antes da prova.

*Um fato engraçado é que minha sobrinha querida Ana Beatriz (Bibi), de quatro aninhos, também espalhou um monte de papeizinhos no meu quarto dizendo que eram os estudos dela. Isso me deu muita sorte. Kkkkk (Vocês vão conferir na foto que tirei com ela, após aprovação. Os papeis na altura dela foram riscados e colados por ela. kkkk)

Outro recurso interessante que utilizei foi a gravação de áudios de alguns conteúdos que são meramente decoreba (datas, locais, nomes). Enquanto estava no banho ou na academia, eu escutava-os. Ainda os tenho no meu celular. Kkkkk E ajudou e muito. Kkkkk

O dia da Prova

Sou uma pessoa muito tranquila para fazer provas.

Ao iniciá-la, observei que a banca utilizou os autores que havia mais focado. Isso já deu uma aliviada. Mas caíram umas sete questões absurdas de decoreba que me deixaram superirritado. Porém, consegui acertá-las graças ao concurso que fiz em Natal, pois a UFRN cobrou conteúdos do tipo: datas históricas, números de lei e nomes de pessoas do jornalismo. Outro ponto que ajudou foi a preparação que fiz para a prova de Português. Foi positivo resolver questões do nível de doutorado.

Mesmo tendo feito uma boa prova, saí irritado, pois sabia que não tinha gabaritado devido ao alto nível da prova. Na minha cabeça, só passaria quem fechasse a prova. Nem criei expectativa e aguardei o gabarito. Ao sair o gabarito, percebi que meu desempenho tinha sido melhor que os colegas do Facebook, mesmo assim, contive-me, pois a rede social era um universo pequeno diante quase mil jornalistas inscritos para quatro vagas.

Entrei com recurso em algumas questões de Português e específica. Minha pontuação aumentou. Mesmo assim, nunca passou por minha cabeça que o primeiro concurso que eu passasse seria de nível federal.

Quando saiu o resultado, eu chorava e sorria ao mesmo tempo. Foi uma festa na minha casa com minha família. Nos dois primeiros meses, após aprovação, eu acordava cedo chorando e agradecendo a Deus. Parecia um sonho. Hoje, a ficha já caiu. Kkkk

Minha homologação saiu em maio. A nomeação em novembro e a posse ocorrerá no dia 19 de dezembro de 2016.

Segue uma parte da carta que fiz para minha família quando saiu minha homologação. Sempre que releio, me emociono.

‘Obrigado, meu Deus, por tudo! Como o Senhor é o Deus da graça e da misericórdia. Agora é oficial. Fui aprovado em concurso público federal para o cargo de jornalista/assessor de imprensa do IFPE. Um presente de Jesus Cristo, tendo em vista que amo a profissão que abracei. Passa um filme na minha cabeça, pois essa conquista não é só minha, afinal, ninguém alcança vitórias sozinho. São muitas pessoas e anjos que nos socorrem e passam na nossa vida.

Quero agradecer aos meus pais, Luiz Gonzaga e Maria do Socorro (In Memoriam) que sempre me cercaram de amor, carinho e nunca deixaram faltar nada a mim e às minhas irmãs. Tenho absoluta certeza de que mainha está muito feliz no céu acompanhando a minha caminhada e das minhas irmãs. Te amo para sempre, mainha!

Painho é um anjo na minha vida, desde que mainha faleceu, há cerca de onze anos, ele vem cuidando da família de uma forma que eu não tenho palavras para expressar e sempre me emociono.

Eu, Amanda Laís, Ane Layne te amamos muito. Seus conselhos e suas palavras nos dão ânimo e são luzes para nossas decisões. Esse concurso é prova disso, pois lembro que, ano passado, o senhor disse: “Você já tem curso superior, não precisa cursar outra faculdade. Foque num concurso que você chega lá.” Assim o fiz, abandonei a graduação que estava fazendo na UFPE e comecei a me dedicar entre oito e 12 horas por dia em estudos. Lembro também suas orações. Na verdade, o senhor é um dos poucos homens nesta Terra que reza todos os dias do ano o terço e o ofício de Nossa Senhora. Por isso, nossa casa e nossas vidas são tão iluminadas, pois Jesus Cristo diz: “Buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua Justiça, e as demais coisas vos serão acrescentadas.”

Quero agradecer às minhas irmãs Amanda Laís e Ane Layne. São duas guerreias que sabem o valor do trabalho e do estudo. Como sou feliz e grato a Deus em tê-las como irmãs. Me sinto bem ao estar com vcs. Me sinto confortável ao dividir os momentos de alegria e tristeza ao longo de toda essa caminhada. Saibam que seus sonhos estão próximos de se tornarem realidade. Basta ter fé em Deus, foco e força.

Obrigado a tia Graça e tio Jurandir por terem me orientado nos estudos no período quando era criança. Lembro que ia forçado estudar na casa de vocês, pois só queria saber de assistir à TV, jogar e brincar. Kkkkkkkk Com a ajuda de vocês e da minha prima Januza, aprendi a ser mais organizado com as tarefas escolares e, a partir disso, eram só notas boas. Heheheheh

Na fase da adolescência e adulta, surgem outros anjos e, agora, me dando a mão no meu caminho profissional. Minha gratidão a tia Maria, tio Beto e tio Josildo. Lembro que não entrei em jornalismo na UFPE por décimos e só pude cursar uma faculdade particular. E essa turma se uniu para me ajudar. O primeiro ano de faculdade foi de coletividade. Cada um, junto com painho, pagava uma parte.

Quem convive comigo sabe: sou uma pessoa autônoma e gosto de andar com minhas próprias pernas. Apesar de ver todo esse esforço dos meus tios e pai, decidi trancar a faculdade por um ano até conseguir um emprego que desse para pagar a mensalidade da faculdade e as minhas despesas com o estudo. É daí que surge, mais uma vez, o convite de tio Beto para ser assessor de imprensa na Câmara Municipal. Assim, concluí meus estudos e ainda tive o privilégio de já atuar na área a qual decidi investir. Já passei por televisão e jornais impressos, mas amooooo assessoria de imprensa.

Tia Maria merece um parágrafo só para ela. Heheheh Sou loucoooo por essa tia e todos que convivem comigo sabem que, durante o dia, cito umas dez vezes o nome dela. Sou seu fã e lhe admiro muito como profissional e pessoa humana. Tia Maria é aquele ser que transparece paz e hoje é quem une toda a família. Todos os mais de 30 sobrinhos da família Dora a amam e todos já tiveram alguma história com ela, pois tia Maria já paparicou a todos. Desejo que a senhora continue sendo muito feliz e que Deus realize muitos outros sonhos por meio de João Neto. A senhora merece toda a luz e paz. Tenho frases que sempre falo em conversas ao citar Tia Maria e vou repetir duas aqui: “Se eu tivesse metade da inteligência de Tia Maria, hoje eu era rico.”, rsrsrsr e a outra é “ Se, durante a vida, eu tiver 10% da bondade que há no coração de tia Maria e tio Beto, eu morro feliz”.

Por fim, a vida me deu a graça de conviver com outros seres de luz que nos ajudam a dar injeção de ânimo e eu tive essa sorte trabalhando na Secretaria de Saúde. São muitas pessoas unidas com um único objetivo: servir às pessoas, principalmente aos mais necessitados. Minha gratidão à Aparecida Souza, a Wedneide Almeida, Ana Lucia Barros e tantas outras que, em muitos momentos, quando ia fazer provas, torciam por minha aprovação. Estou saindo da pasta, porém meu coração fica com todas.

Obrigado, Jesus, e que o Senhor me use nesta nova fase da minha vida como instrumento de amor, justiça e paz. Tudo é teu, inclusive este emprego, pois estamos aqui de passagem.’

Caruaru, 18 de maio de 2016.”

Meu depoimento: Mariana Mazza

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Sim, cá estou eu no meu próprio blog, dando o meu depoimento! Quando eu passei no concurso da Aeronáutica, acabei até fazendo um post com dicas para quem desejava fazer a mesma seleção, mas não cheguei a escrever um depoimento. Agora, com a aprovação no concurso da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e a pedidos de muitos de vocês, chegou a hora de contar um pouco da minha história. E senta que lá vem história!

“Dez anos. Esse é o tempo que me formei em Comunicação Social/ Radialismo e TV na Universidade Federal de Pernambuco. É esse também o tempo que passou desde que fiz o meu primeiro concurso! Por favor, só peço que não façam contas para não descobrirem a minha idade! Kkkkkkkk

Filha de um pai funcionário público e uma mãe que me ensinou que estudar era o caminho mais honesto para ser alguém na vida, decidi assim que me formei: vou estudar para concursos públicos! Na verdade, estudar para seleções em entidades públicas não era uma novidade para mim. Aos 9 anos fiz uma prova super concorrida para estudar no Colégio de Aplicação de Pernambuco. Eu e meu irmão passamos, lembro da alegria dos meus pais nesse dia! Aos 16, terminei o colégio e fiz o vestibular para a UFPE. No primeiro ano não passei, mas no ano seguinte consegui uma segunda colocação! Nunca fui ‘a aluna exemplar’, mas sempre gostei de ler e estudar, talvez isso tenha me ajudado nessa longa e persistente estrada de concurseira.

Assim que me formei, tinha conseguido um emprego de produtora em uma rádio (prestadora de serviço, sem carteira assinada), onde eu acordava de segunda a sábado (incluindo feriados) sempre às 04h30 da matina para ir trabalhar. Minha mãe me levava de carro até a parada de ônibus porque eu saia quando ainda era noite, e eu pegava dois ônibus até chegar ao trabalho!

E foi com essa rotina cansativa que eu decidi: não é a vida que eu quero para mim! Na época meu irmão tinha feito um curso desses básicos para concursos, eu peguei as apostilas dele e comecei a estudar no caminho até o trabalho, cada dia uma matéria, sem nem ter ideia de que prova eu faria, sem nenhum concurso em vista. Eu estava querendo aprender sozinha até Noções de Contabilidade! Foi uma doideira, mas eu mesmo sem entender direito ia tentando aprender aqueles conteúdos que alguma hora iriam me servir, fazia resumos e tudo, mesmo sem saber direito o que estava escrevendo! kkkkkk!

Foi em uma dessas viagens de ônibus que vi um cartaz sobre o concurso do BNDES e descobri que havia vagas para a área de Comunicação Social nos órgãos públicos. Só que eu não fiz essa prova, não lembro se já tinham encerrado as inscrições… Mas me animei em saber que era possível fazer concurso e trabalhar na área.

Nessa época, apareceu o concurso da FUNDAJ, com uma vaga que podia ser concorrida por várias áreas, inclusive Comunicação. Era para trabalhar com produção de vídeos, algo assim. Me inscrevi e comecei a estudar, sem saber direito por onde começar. Hoje a gente reclama, mas imagina como era nessa época sem cursos presenciais e muito menos online, sem noções de referências bibliográficas, com poucas provas no PCI Concursos (que nem era bem conhecido), sem nem sequer apostilas voltadas para a área, sem grupos de Facebook… Era tudo mais difícil! Mas catei umas informações nuns sites aqui e acolá, peguei alguns livros e enfrentei sem nem saber o que me esperava! Depois da prova (que foi muito técnica na parte de gravação e edição de vídeo), fiquei em 18ª colocada (de uns 300 inscritos). Daniel, um amigo da faculdade passou em primeiro lugar (ele trabalha lá até hoje) e virou uma referência para mim! Se ele conseguiu, eu também conseguiria! Não ia desistir ali!

Logo em seguida veio o concurso para o Ministério Público, com formação de cadastro de reserva para Comunicação Social. Mais uma vez reuni o material que tinha pela frente, inclusive o livro Obras Jornalísticas, que nessa época era a única salvação. Veio o resultado: fiquei em 5º lugar! Não acreditei! Só chamaram o primeiro aprovado (depois de um ano), mas eu vi ali que eu deveria investir mesmo nos concursos da área, pois cheguei tão perto, então deveria ser possível mesmo!

Porém, depois dessas duas seleções, as que foram aparecendo pela frente pediam a formação em Jornalismo. Perdi também uma oportunidade de trabalho só por causa da minha formação… Acabei tentando fazer alguns concursos em qualquer área como o TJPE, Banco do Brasil e Chesf. Logo vi que não tinha nada a ver comigo, era difícil aprender tantas matérias que nunca tinha visto e também queria continuar trabalhando com comunicação! Decidi então fazer uma nova faculdade, dessa vez particular, pagando na mensalidade metade do meu salário. Trabalhava de manhã na rádio e estudava à noite, dando uns cochilos à tarde quando possível.

Alguns meses depois tive a oportunidade de mudar de emprego, fui trabalhar na assessoria de comunicação de uma organização da sociedade civil chamada Articulação no Semiárido (ASA). Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida! Tinha horário de trabalho em expediente normal, ganhava mais, tinha carteira assinada… E amava o trabalho, aprendi muito! Na ASA fui muito feliz e onde fiz amigos de verdade que tenho até hoje (Nanda, Gleice, Vivi e Verônica)! Mas o sonho de ser servidora pública ainda continuava.

Trabalhava oito horas por dia, estudava à noite e continuava me preparando para muitos outros concursos. Nunca tive coragem de contar, mas tenho medo que sejam mais de 30! Devem ser 30, no mínimo! Muitos deles com bom desempenho: 11º, 7º, 5º, 2º! Foram muitas bolas na trave, mas eu não desistia! Dava uma freada em alguns momentos, deprimia em outros, mas depois respirava fundo e continuava na luta.

Foi nessa época que surgiu a ideia do blog. Lembro de um dia estar irritada porque não tinha muitos materiais para concurso, o número de inscritos crescia, mas eu nunca encontrava esses outros candidatos nos fóruns da vida… Resolvi então criar o Jornalistas Concurseiros. Mandei um e-mail para o pessoal da minha turma de Jornalismo e foi a única divulgação que fiz. À medida que os concursos foram aparecendo, o blog ia cada vez mais ganhando seguidores. Nunca pensei que ele pudesse tomar essa proporção que tem hoje!

Em 2011, me inscrevi no concurso da Aeronáutica. Era uma seleção temporária (podia ficar apenas 8 anos) e não tinha vaga para Recife, mas a possibilidade de morar no Rio de Janeiro (duas das seis vagas oferecidas) me pareceu interessante. Sabia que era um dos melhores locais onde eu poderia estudar mais (nessa época já sabia da existência do Curso Radix) e onde tinha ótimos concursos para a nossa área. Resolvi arriscar! Tinha prova objetiva, redação, exame de saúde e teste físico. Além de estudar, comecei a me preparar para essas outras fases com acompanhamento de nutricionista, academia e, já no final, uma personal trainer.

Quando veio o resultado da prova objetiva, não acreditei: eu estava em primeiro lugar! Continuei me empenhando mais fortemente, sobretudo para o teste físico, pois a corrida era ainda uma dificuldade. No dia, consegui correr igual ao Forrest Gump, acho que pela adrenalina, mas do meio para o fim tive uma ‘dor desviada’ que quase não me deixou terminar a prova. Apesar da dificuldade, consegui vencer mais essa batalha! Sim, eu estava aprovada no concurso da Aeronáutica e ia deixar Recife para fazer um estágio de três meses em Belo Horizonte e depois ia morar no Rio de Janeiro!

Deu aquele medinho, medo do novo, do desconhecido, mas não dava mais para voltar atrás. Minha mãe disse: ‘não inventou de fazer esse concurso, agora você vai até o fim!’. E eu fui, mesmo com tristeza por deixar os familiares, amigos e o trabalho que eu tanto amava! Os três meses de treinamento foram muito intensos! Aprendi muitas coisas novas e principalmente, amadureci muito! Fiz também muitos amigos, vários deles estão juntos de mim até hoje, tornando minha vida no Rio um pouco mais fácil (Best, FeRo, Paty, Gava, Benê e Joy)!

Cheguei no trabalho novo e descobri que lá já havia uma equipe de Comunicação e que minha vaga não deveria ter sido para aquela unidade. Fiquei uns 15 dias sem saber direito onde ia trabalhar. Somado a isso, a dificuldade de achar um bom apartamento o com preço dentro do meu orçamento. Deu uma vontade louca de desistir de tudo, de voltar para Recife, para meu antigo emprego e para a minha família. Mas logo consegui achar um lar e graças a vários anjos que apareceram na minha vida (Cel Bertolino, Cel Lima, Dona Lúcia, Narcizo, Miotto e Fátima), acabei indo trabalhar no Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), uma unidade subordinada a que eu ia trabalhar anteriormente. Lá iniciei uma seção de comunicação praticamente do zero. Foi um desafio, mas as pessoas me ajudaram muito. O ambiente de trabalho era excelente e eu era muito valorizada como profissional!

E foi nesse lugar onde mais uma vez fui muito feliz e realizada na minha profissão. Foram quase quatro anos de muito aprendizado, mais amadurecimento e muitos novos amigos. Mas como era uma seleção temporária, o tempo corria contra mim. Depois de mais ou menos uns três meses que comecei a trabalhar, abriu o concurso do BNDES e resolvi me matricular no Curso Radix e voltar aos estudos. Lá tive aula com professores maravilhosos, como a Alessandra Porto (que eu amo de paixão), além de conhecer amigas lindas que estão na minha vida até hoje (Marina, Karlinha, Rosa, Luisa, Deborah, Adri, Ju, Gabi, Fabi, Vivi, Simone e Dani, vocês foram o melhor presente que o Radix me deu!)

Nesse meio tempo fui chamada para o concurso da Compesa, que tinha feito há quatro anos e passado em segundo lugar (só tinha uma vaga imediata, mas resolveram chamar o segundo colocado pouco antes de terminar a validade do concurso). Estava de no último dia férias em Recife e fechando a mala para ir ao aeroporto quando recebi um telefonema me convocando para ir levar meus documentos no dia seguinte. Tive pouquíssimo tempo para decidir a vida, segundos na verdade… Foi bem difícil, mas disse não a essa vaga, tranquei a mala e voltei para o Rio.

Foram algumas provas em Recife e Rio de Janeiro, decidi que só faria concursos para essas duas localidades. Teve Alepe, Câmara de Vereadores de Recife, INSS, INCA… Alguns com resultados melhores, outros nem tanto! Para esse da Alepe (oportunidade para voltar a Pernambuco, porém com salários excelente e muitas vagas) me empenhei muito, estudei bastante Direito Constitucional, Administrativo, legislações… Comecei a gostar desses assuntos que eu sempre fugia (deixei de fazer muito concurso só porque tinha essas matérias no edital). No dia, porém, a prova foi tenebrosa! Foi um dos concursos que mais tive que consolar os leitores no dia seguinte, estava todo mundo desolado! Foi bem deprê para mim também! Fiquei um tempo sem conseguir voltar a pegar nos livros. E para completar, logo em seguida tive uns problemas de saúde que dificultaram muito os estudos por mais de um ano!

Depois de me recuperar um pouco a saúde, decidi que ia novamente focar no concurso do BNDES, já estava saindo anúncio que abriria uma seleção em breve. Fiquei estudando com calma, resumindo livros, resolvendo questões… Foi então que veio a informação oficial do órgão que não haveria o concurso que estava sendo especulado e que não havia previsão de uma nova seleção nem tão cedo. Meu mundo caiu! Fiquei novamente uma semana na deprê… Aí saiu o concurso da DPU. Resolvi me inscrever, mesmo sendo cadastro de reserva. O concurso foi suspenso! PQP!!! Mais uns dias de deprê! Cheguei a me questionar se era isso que eu queria mesmo da minha vida, uma vaga no serviço público! E se eu não conseguisse, qual seria o plano B?

Foi aí que surgiu o concurso da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Olhei o edital e vi que tinha muito conteúdo de legislação, mas decidi agarrar aquela oportunidade com unhas e dentes! Me matriculei em uns cursos do Concurso Virtual, separei muito material e comecei a estudar. Assistia as videoaulas como quem vê série de Netflix (adorava o Fábio Ramos)! O fato de eu ter começado a estudar alguns assuntos, como Direito Constitucional, para a Alepe, acabaram facilitando o meu aprendizado (o que me faz crer que nada é por acaso, que todo meu esforço naquela época não foi em vão). Foquei nos estudos, comecei a me interessar pelo processo legislativo e assim ficou mais fácil entender o conteúdo. Nesse meio tempo fiz uma cirurgia que me deixou um mês de molho em casa. Aproveitei para estudar! Sério, levei material para o hospital, mas claro que o efeito da anestesia não me deixou ler nem uma linha! Mas o que vale é a intenção! Kkkkkkkkkk

Fiz também muita questão de prova e nessa parte o grupo do Facebook Jornalistas Concurseiros me ajudou muito. O grupo homônimo ao blog foi criado pelo Eduardo e a Nilzete, uns fofos que acabaram virando meus amigos. Lá o pessoal está sempre lançando questões para resolver coletivamente, além da disponibilização de materiais. É um lugar onde o amor prevalece e eu indico muito para quem está nessa luta a participar dele. Vai transformar a sua vida para melhor!

Veio o dia da prova e eu estava sentindo uma energia muito positiva, apesar da tensão! Minha amiga-irmã-filha Mellyna veio dormir aqui em casa para irmos juntas para o local de prova. Coloquei a música Tá Escrito, do Grupo Revelação, para a gente escutar e dar aquele ânimo. Isso foi muito importante para ir fazer a prova mais confiante. Outra coisa que comecei a fazer já nesse final da minha vida concurseira: o batom poder! Kkkkkkk! É isso mesmo, usei um batom desses para dar impacto (eu escolhi o vermelho, um ‘pá na cara da sociedade’ para mostrar confiança. Não sei se abala os concorrentes, mas me dava a sensação de poder!

A prova foi cansativa e cobrou muita coisinha decoreba! Mas também caiu muita coisa que tinha aprendido com as videaulas. Cheguei em casa destruída e comecei a conferir algumas questões, vi que tinha acertado muita coisa, embora errado muitas questões por bobagem! Entrei de férias do trabalho e fui viajar, resolvendo esquecer um pouco o concurso e descansar. No meio das minhas férias saiu o resultado da primeira fase: fiquei empatada com algumas pessoas e seguindo os critérios de desempate, eu estava em oitavo (duas vagas só). Por enquanto, não tinha muito a comemorar, só sabia que eu estava no páreo (apesar de achar que eu terminaria em 5º lugar ou algo assim, como já tinha acontecido em tantas outras seleções).

Voltando das férias, investi pesado na segunda fase que era a produção de um release. Comecei a assistir a várias sessões plenárias no Youtube, eram duas, três horas de vídeo! Mas achei que era fundamental para eu entender melhor como funcionava a votação das leis e me sentir mais à vontade para escrever os releases. Confesso que acabei gostando! Contratei um serviço de correção da Oficina de Redação que eu suuuper indico! A Christiane é muito atenciosa e a correção é bem detalhada. Ela corrigiu duas redações/ releases que escrevi e conseguiu identificar ainda muitas falhas que eu precisava melhorar nos textos.

O Curso Radix também abriu um curso específico para a produção de release com o professor Felipe Barreto. Pulei de alegrias quando soube que era ele, pois sabia da sua experiência profissional. Essas aulas foram fundamentais para eu conseguir melhorar mais ainda o meu texto. Descobri que nessa minha vida de radialista e jornalista escrevi muito texto, muita matéria, nota, material de divulgação, mas pouco release em si e isso fazia com que meu texto mais parecesse uma matéria. As broncas (sempre carinhosas, claro, kkkkkkk) do Felipe fizeram com que eu corrigisse essas falhas.

No dia da prova, eu estava muito tensa, apesar da confiança que os cursos tinham me passado! O release pedido era simples (uma convocação para uma audiência pública), mas achei o tempo curto e terminei em cima do laço, segurando a mão para não tremer quando passei a limpo. Pronto, dever cumprido! Dei mais aquela relaxada e resolvi não ficar pensando mais tanto até esperar sair o resultado da prova. No dia do resultado, acordo com uma mensagem no celular da amiga Duda avisando que tinha saído o Diário Oficial e olhando por alto (estava em ordem alfabética), eu estava dentro das vagas. Dei um pulo da cama e fui tentar ver. Olhei a lista umas 50 vezes, nota por nota, até ter a certeza: eu estava na segunda colocação! Não conseguia acreditar! A ficha realmente demorou a cair!

E hoje, mais de quatro meses depois, tomei posse e estou assumindo o cargo de Analista Legislativo da Câmara do Rio, na função de jornalista! É uma sensação indescritível e escrevendo esse depoimento passou um filme na minha cabeça! Às vezes vocês têm a ideia que pelo fato de eu ter um blog, eu seja um gênio, saiba tudo de todos os assuntos, ou mesmo que não tenha enfrentado dificuldades até conseguir essas três aprovações. Mas não, sou uma pessoa normal, e assim como eu consegui, vocês também conseguem! É preciso apenas persistência, acreditar em si, no seu potencial, e estudar! Não tem como, tem que estudar!

Agradeço a Deus por todas as bênçãos de sempre, a todos amigos, amigas, familiares, leitores e leitoras, todos que acreditaram em mim e que nunca deixaram a minha peteca cair: Mainha, Painho, Alexandre, Suzy, Eduardo, Suelen, Chel, Mell, Preto, Gabi Dala Vechia, Kaline, Meninas do Radix, amigas Poderosas, Edu Gomes, Nilzete, Michele Barros, Mari Zocratto, Patty Ribeiro e tantos outras pessoas, principalmente leitores do blog que vieram me falar tantas palavras de carinho quando saiu o meu resultado, até mesmo concorrentes que bateram na trave (estou torcendo pela chance de vocês entrarem também Carol e Mônica)!

Desculpem se não consegui falar o nome de tantas outras pessoas… Mas saibam que vocês estão no meu coração também! Prometo manter o Jornalista Concurseiros na medida do possível, está um pouco difícil dar conta do blog com essa mudança total de vida, mas farei de tudo para continuar atualizando as informações sempre que possível.

Termino esse depoimento (que ficou gigantesco) com a letra da música que fez parte dessa minha vitória! Acreditem, sua hora vai chegar!

TÁ ESCRITO – GRUPO REVELAÇÃO
“Quem cultiva a semente do amor
Segue em frente, não se apavora
Se na vida encontrar dissabor
Vai saber esperar sua hora (BIS)

Às vezes a felicidade demora a chegar
Aí é que a gente não pode deixar de sonhar
Guerreiro não foge da luta e não pode correr
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer

É dia de sol, mas o tempo pode fechar
A chuva só vem quando tem que molhar
Na vida é preciso aprender
Se colhe o bem tem que plantar
É Deus quem aponta a estrela que tem que brilhar

Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar”

Depoimento: Danyelle Woyames

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“Tente/ E não diga que a vitória está perdida/ Se é de batalhas que se vive a vida/ Tente outra vez”. Tente Outra Vez – Raul Seixas

Lendo o depoimento da Danyelle, imediatamente me veio à mente essa música de Raul Seixas. Pense numa pessoa que não deixou de correr atrás dos seus sonhos, mesmo com tantas dificuldades que passou? Sempre acreditando que havia algo melhor guardado para ela! E havia sim! Para as pessoas batalhadoras, não há outro destino!

Ela passou até necessidades financeiras durante a sua vida de estudante, mas continuou buscando a realização profissional, mesmo com tantas pessoas sempre dizendo pra ela que “jornalista morre de fome!”. A vontade de seguir adiante falou mais alto!

Desde que resolveu buscar uma vaga no serviço público, fez várias provas. Uma delas, a do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), concurso que foi anulado por problemas na organização. Ela não desistiu, fez a prova pela novamente e passou em segundo lugar (o concurso tinha apenas uma vaga).

E quando já não tinha mais lágrimas para chorar a bola na trave, uma incrível surpresa: foi convocada para o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Como os dois órgãos são do Ministério da Educação, foi possível ser chamada para outro órgão diferente. Confesso que já vi isso ocorrer com quem já é servidor e fico feliz em saber que optaram por chamar você ao invés de simplesmente colocar um terceirizado nessa vaga.

Dany, muito obrigada por vir aqui contar seu depoimento. Chorei do início ao fim! Você é realmente uma guerreira, muito orgulho da sua determinação e coragem! Parabéns por essa conquista! Tenho certeza que sua mamãe te acompanha para sempre em sua jornada!

“Tenho 27 anos e me formei em Jornalismo em 2010 pela Universidade Estácio de Sá. Fiz a faculdade através do ProUni, com muito esforço e dedicação para manter boas notas, tendo que conciliar os estudos com um estágio nun jornal local que me pagava R$ 300,00 por mês e a passagem, o que só bancava minha ida e algum material de estudo. Cheguei a ficar com fome várias vezes porque o dinheiro não sobrava para o lanche.

Minha família nunca teve dinheiro, estudei em escola pública, imagina então se poderia pagar uma faculdade! E todos sabem que estudar e ter que trabalhar é algo complicado. Mas meus pais sempre me ensinaram o valor do conhecimento, da persistência, do esforço e dedicação. Nunca deixei o fato de estudar em escola pública estadual, sem estrutura, esmorecer minha vontade de aprender e vencer na vida. Devo a eles o que sou e minha força de vontade. Consegui, depois de muita batalha, me formar e por lágrimas de orgulho nos olhos do meu pai e sei que minha mãe, onde quer que esteja (perdi ela quando eu tinha 15 anos), também se orgulhou de mim.

A paixão pelo Jornalismo me fez manter meu foco, mesmo com todos me dizendo que “eu morreria de fome se fosse querer viver de comunicação”. E sim, depois de formada os momentos de desespero foram muitos. Trabalhei em loja porque não conseguia vaga para trabalhar no que me formei. Cheguei a amaldiçoar minha escolha, mesmo não me vendo fazendo nada além disso na vida.

Sempre pensei que a paz da carreira estatutária seria um bálsamo num mercado de trabalho cada vez mais acirrado. Antes de terminar o Jornalismo eu já tentava alguns concursos para nível médio, como um do Arquivo Nacional que fiz aos 18 anos. Depois do Jornalismo, tentei um para nível médio no Ministério Público do Rio de Janeiro. E tentei também vários para jornalista, todos sempre com pouquíssimas vagas (o que sempre foi um fator meio desanimador): Petrobrás, Transpetro, Câmara de Vereadores, algumas prefeituras de cidades até fora do meu eixo de conforto. No da Transpetro foram mais de 2.000 inscritos só no Rio e eu fiquei em 47°. Achei uma boa colocação na época mediante à concorrência, mas só existiam duas vagas. Dos outros eu sinceramente não lembro quais foram minhas colocações. Mas nunca pude me dar ao luxo de só me dedicar aos estudos, pois realmente precisava de um salário para pagar minhas contas. Passei por alguns empregos como jornalista e como assessora de imprensa, todos com salários baixos, mas era o que conseguia.

Até que, no ano passado, me inscrevi para o concurso do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), que tinha também apenas uma vaga. Todos me perguntaram se eu realmente ia fazer esse concurso, pois a organizadora era pequena, desconhecida, do interior de Minas Gerais e diziam que “este concurso devia ser marmelada para que cartas marcadas entrassem”. Ainda assim, decidi que faria, pois sempre aprendi que o “não” já temos e é preciso focar no “sim”.

Pense num dia em que tudo dá errado! Foi assim no dia da prova. Havia uma maratona no Centro do Rio e eu não sabia. Moro em São Gonçalo e mesmo eu saindo cedo de casa, o engarrafamento estava absurdo na Ponte Rio-Niterói e na Av. Presidente Vargas. Faltando uns 15 minutos para o horário que estava marcado no cartão de confirmação (que não foi especificado se era o de abertura dos portões, fechamento deles ou de início das provas) eu ainda estava na Candelária e a prova era no Edifício Menezes Cortes (quem não é do Rio pode dar uma procurada no Google que vai ver que é um pouco longe). Desci do ônibus e saí correndo, no meio dos maratonistas, xingando todos eles mentalmente por terem resolvido correr exatamente naquele dia e local. Cheguei no prédio arfando e a fila estava enorme do lado de fora. Bom, pelo menos eu não era a única que tinha tido problemas… como é um prédio bem alto, todos precisavam esperar o elevador. Um dos funcionários da organizadora tranquilizou a todos dizendo que entraríamos a tempo. Fato é que, devido às circunstâncias, a prova atrasou.

Quando finalmente todos estavam nas salas, as provas chegaram e a fiscal nos mandou iniciar. Ainda não havia tocado o alarme e houve alguns protestos. Ela disse que o sinal não tocaria devido ao atraso. Começamos a prova e, 10 minutos depois, tocou o sinal! Todos se desesperaram. Era fato que a prova seria anulada depois de tantos problemas. E ainda existiram algumas questões bem falhas na prova mesmo, passíveis de recurso.

Como todos imaginavam, a prova foi anulada e remarcada. Muitos me falaram para desistir e pegar meu dinheiro de volta. Mais da metade dos candidatos fizeram isso. Mas eu insisti. Quando remarcaram, me jogaram para Copacabana, que é bem mais longe de onde moro. E para completar, fiquei doente no dia. Estava com a garganta inflamada, nariz entupido e febre. Mas lá fui eu. Fiz a prova e fiquei aguardando o resultado.

Quando vi que fiquei em segundo lugar, senti um misto de orgulho e amargura. Minha colocação era ótima? Sim. Mas só havia uma vaga. Comecei então a monitorar o Diário Oficial para ver se a primeira colocada tomaria posse. Vi ela ser convocada, a ansiedade aumentando. Quando li que ela havia tomado posse, meu estômago afundou. Procurei seu perfil no Facebook e vi a foto da solenidade. Fiquei novamente dividida entre a empatia pela conquista dela e a tristeza por estar tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe. Depois de chorar um bocado, pensei “vida que segue, bora para o próximo”. E para mim esse concurso tinha acabado aí.

Até que, em julho de 2015, recebi um telegrama referente a este edital, me convidando a demonstrar interesse em tomar posse como jornalista no IFRJ (na ocasião em que recebi o telegrama, nem me atentei que era outro órgão, só reparei no nome do edital) e dizendo que eu precisava entrar em contato com eles até dia 14, que era dois dias antes da data em que recebi o telegrama: dia 16, de noite, que foi o horário em que cheguei do trabalho. Quase surtei! Imaginei que tinha perdido a oportunidade da minha vida por culpa dos Correios. Liguei no dia seguinte desesperada para o número que constava no telegrama, explicando que só havia recebido o telegrama no dia 16, atrasado. Fui tranquilizada pela servidora do RH que disse que eu não tinha perdido a vaga e me explicou que eu estava sendo chamada para um órgão diferente, que não era o Ines, mas que isso era possível por ambos serem do Ministério da Educação e por essa possibilidade estar prevista no meu edital, que ainda estava vigente. Então eu corri com os exames e com a papelada e, no início de agosto, tomei posse. Um dos melhores dias da minha vida!

Hoje trabalho com uma equipe maravilhosa! A remuneração não dá para ficar rica (rs), mas é mais do que o mercado está pagando e com a vantagem de ser regime estatutário. E, depois de trabalhar com tanta gente ruim e em ambientes tão hostis, garanto que nada paga a paz de trabalhar com uma equipe nota dez e com pessoas boas, que não querem pisar em você para se elevarem. Meus colegas de trabalho são ótimos e estou muito feliz lá.

Então colegas, depois dessa minha saga, espero que acreditem que absolutamente TUDO é possível e que o que é nosso está reservado e tem seu tempo para acontecer. Basta não esmorecer, confiar e estudar! Sobre os estudos, confesso que não tenho grandes dicas, apenas me focava em estudar mais o que eu realmente não sabia, como a legislação do órgão em questão. E teorias da comunicação e funções da comunicação interna, que sempre caem. Boa sorte a todos vocês!”

Depoimento: Sabrina Victer

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Março de 2015. Recebo a mensagem de uma leitora no Facebook do blog pedindo dicas sobre o concurso da Marinha e alguns dias depois começamos a conversar.

– Olá! Entrei para essa vida de concurseira na virada de 2015, só que não sou jornalista, sou publicitária! Queria uma indicação sua pois vou tentar para Marinha, mas não quero esperar o edital sair…
– Dá uma olhada nesse depoimento da Jéssica, primeira colocada no último concurso porque ela dá umas dicas bem voltadas para quem está estudando para essa seleção.
– Que demais esse depoimento dela, adorei! Quem sabe ano que vem sou eu dando esse depoimento?
– Se Deus quiser! Boa sorte e bons estudos!

Sem saber, a Sabrina Victer estava profetizando o seu próprio futuro! Alguns meses depois dessa conversa, em novembro do ano passado, ela me avisou que tinha sido aprovada em primeiro lugar no concurso da Marinha (com apenas uma vaga) e hoje está escrevendo o seu depoimento para nos contar como foi essa trajetória.

Primeiro, emoção master com a nossa primeira publicitária concurseira aqui nos depoimentos! Aêêêê! Segundo, feliz por saber que os depoimentos aqui no blog estão inspirando vocês e ajudando de alguma forma nas suas aprovações! Continuem se enchendo de fé e esperança, elas potencializam os estudos!

E sobre a Sabrina, o que dizer de uma pessoa que traz aqui uma oração para os estudantes? Fofa, não tem outro adjetivo!

Sabrina, parabéns por sua garra e determinação! Por ter acreditado em seu próprio potencial e não ter medo de correr atrás dos seus sonhos! Que você seja muito feliz na Marinha! Obrigada por contar sua história como um roteiro de filme, que vai nos envolvendo até o final!

“Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Me chamo Sabrina Victer e sou a abençoada que passou na única vaga que saiu em 2015 para o Quadro Técnico da Marinha na área de Comunicação Social. Vim contar um pouco da minha história, pois o depoimento da amiga Jéssica Martins – que entrou no concurso anterior – foi uma luz no meu caminho concurseiro, deu o “start” que eu precisava. Espero passar essa bola para frente e poder colaborar com meus futuros colegas de trabalho também! Não vou me ater a técnicas de estudo, pois acredito que cada um funcione melhor de um jeito. Meu objetivo maior é dividir essa jornada com vocês e inspirar a crença em si mesmo.

Tudo começou na virada de 2014 para 2015: naquela tradicional reflexão de Réveillon, decidi que ia virar concurseira. Como profissional da área de Comunicação, ainda mais habilitada em Publicidade, estava cansada desse mercado de trabalho louco, estressante e mal remunerado, pelo menos para a maioria dos mortais! Tive a grande oportunidade (sei que muitos não têm) de poder parar de trabalhar e focar só nos estudos, estava determinada a me dar um prazo de 2 a 3 anos tentando passar em algum concurso. Qualquer concurso? Não. Pesquisei com amigos concurseiros, grupos, gurus, etc., e entendi que teria que focar em concursos com a mesma pegada. Por isso resolvi focar em Agências Reguladoras: ANCINE, ANVISA, ANTAQ, ANAC, ANA, etc. Elas tinham basicamente o mesmo programa de conhecimentos básicos e a legislação inerente a cada área específica. Ok. Cheguei a me matricular em um curso para a área de Direito (parêntese: Rodrigo Motta é o caaaara do Direito Administrativo! <3) e passei os meses de janeiro e fevereiro na biblioteca da minha pós-graduação, de segunda a sexta, ia após o almoço e só saia quando fechava, às 21:30. Organizei uma grade de estudo que pegava as matérias básicas exigidas nas AR’s.

Foi quando uma amiga minha, Débora (Debby, muito obrigada para sempre! Você nem sabia, mas estava mudando o rumo da minha vida naquele momento! <3), que já havia passado nesse concurso da Marinha na área de Psicologia, numa conversa informal me contou que também abriam vagas pra Comunicação Social:

– Opa! Mas o que cobram?
– Só específica!
– Só específica? Nada de Direito? Nada de Raciocínio Lógico? Nada de Informática?
– Não! Só específica!
– Hummmmm…… (me interessei super!) E tem previsão de abrir concurso?
– Abre todo ano!
– Hummmmm…… (me interessei ainda mais e fui pesquisar a respeito)

O fato de não cobrar outras matérias não significa que é uma prova mais fácil de passar, mas para quem estava estudando há pouco tempo e não tinha muito contato com todas as outras matérias (Direito, Info, RL, etc.), eu achei interessante! Além do mais, só a certeza de todo ano poder tentar novamente, com o conhecimento acumulando ano a ano, era uma grande vantagem. (OBS.: lembrando do limite de idade, 35 anos) E sem contar que eu já tinha aceitado que provavelmente iria jogar para o alto 3 anos de ensino técnico em Propaganda e MKT, 4 anos de faculdade e 2 de pós em MKT Digital para trabalhar como Analista Administrativo, então passar para um concurso onde conseguisse trabalhar na minha área que tanto gosto era o que mais pesava.

Nesse momento decidi parar de estudar para as Agências Reguladoras e focar apenas na Marinha, pois caia matéria de Jornalismo (sabia nada) e de Relações Públicas (sabia menos ainda!). Arregacei as mangas, baixei todas as provas disponíveis no site e fui entender a banca e como ela gostava de cobrar o conteúdo. Sabe o que percebi? Que eles cobram exatamente o que os autores da bibliografia escrevem. Não adianta tentar fazer associações com a prática, nem reclamar que tal ideia já está obsoleta. Apenas entenda e GRAVE (isso, decore) o que o autor está dizendo em cada livro e você certamente será muito bem sucedido na prova. Eu não lia nem jornal no período de estudo, guardei toda a minha capacidade de memorização para os livros, que não foram poucos!

Comecei a estudar em março, adquirindo pouco a pouco os livros da bibliografia do último concurso no site Estante Virtual, foi ótimo, só tive experiências boas! Fiz o fichamento da maioria deles (tirando uns como o Dicionário do Rabaça e Barbosa que nem teria como resumir e a bíblia do MKT do Kotler que é gigantesco e deixei por último, acabou não dando tempo!), sempre me atendo aos conceitos, às tipificações e às palavras que não conhecia. O fichamento era exatamente um resumo dos pontos mais importantes a serem memorizados. A banca adora questões taxonômicas (minha querida prof Simone Orlando sempre dizia isso nas aulas), nas quais os autores classificam o que quer que seja, ex.: tipos de releases, tipos de lides, tipos de propagandas, tipos, tipos, tipos, etc. Não adianta fazer fichamentos quilométricos, pois eles devem ser uma ferramenta para você identificar rapidamente nos tópicos o que deve ser memorizado. E só com HD externo para memorizar tudo, portanto atenha-se ao mais importante e ao que você não conhece ou tem dificuldade.

Paralelamente aos estudos por conta própria, fui me inteirar sobre o curso Radix, que já abre há uns anos turma intensiva para esse concurso. Só mais próximo do concurso que eles abrem a turma (maio), mas já me informei sobre tudo e fiquei na espera. Achei que era um investimento necessário, pois achava válido priorizar tudo que fosse me ajudar a passar. Se me perguntarem:

– Você acha que o curso foi determinante para seu êxito?
– Sim, eu acho que foi determinante, pois não sabia nem o básico sobre Jornalismo e RP, e os professores de lá são maravilhosos. Sem contar que eles já conhecem a pegada da banca, então também orientam a como pensar nas questões que podem surgir. Obviamente NÃO SUBSTITUI a #leitura&fichamento&memorização dos livros, mas ajuda e muito!

Queria até dar um destaque e agradecimento especial para a professora Alessandra Porto (de RP), os ensinamentos dela ficaram na minha memória muito nitidamente, várias questões eu não tinha dúvida, pois escutava ela falando dentro da minha mente. Ela não só tem talento para explicar, mas também uma responsabilidade imensa e humildade de admitir e não passar aquilo que ela não domina. E isso é muito admirável. Os outros professores também, como Simone Orlando, Patrícia Saldanha, Thomas Oliveira, Claudio Cotrim, Felipe Barreto, enfim! Esses feras fizeram a diferença nessa minha jornada! Obrigada de ❤ a todos!

Bom, o curso já tinha começado, minha rotina era: acordava 10:00 > ia para a academia > voltava > almoçava > caia nos livros + fichamento > parava só para me arrumar pro curso > curso > voltava 22h para casa. Quando finalmente o tão esperado edital saiu….. com APENAS 1 vaga! Aff… teve gente que largou o curso, que desistiu, que desanimou. E você, Sabrina, desanimou? Claro que foi um baque e eu também senti, mas ecoava uma vozinha que dizia: você só precisa de uma vaga! Obviamente eu já estava fazendo planos de, se não passasse de primeira (realmente acreditava que era o que provavelmente ia acontecer), ficaria mais um ano estudando no mesmo ritmo e tentaria mais uma vez. Foi quando minha madrinha (tia Sandra, você é demais!) me deu aquelas orações de santinho e me apresentou São José de Cupertino – protetor dos estudantes. É um santo que passou dificuldade para ser admitido nos mosteiros por não ser muito sagaz nos estudos, mas sua fé o levou a conseguir realizar seus sonhos. Quando li a oração, nem acreditei, parecia que ela falava comigo! (No final do depoimento vou colocar a oração para quem tem fé como eu!) E a partir desse dia sempre antes de começar a estudar lia a oração dele e deixava ali do meu lado, me dando força. Nessa época já tinha parado de estudar na biblioteca, pois acabava gastando tempo indo e vindo, dinheiro para comer na rua, e já tinha entrado no ritmo de estudar em casa. Acho que, para quem tem dificuldade de concentração, ir para um lugar onde o ambiente ajude a não distrair é legal, pelo menos até pegar no tranco!

Quando saiu a data da prova: 23 de agosto! Justamente o dia que completava 1 ano de casada! Era um sinal para mim, a partir desse ano teria 2 motivos para comemorar a data! Hehe… começou a fase mais tensa da preparação. Ainda faltavam livros para ler e fichar, então decidi dar um pause na academia, pois nada adiantaria eu continuar treinando para o teste físico se não passasse na objetiva, certo? Comecei a acordar às 9h, já pegava no livro, parava só para almoçar, voltava aos livros e de noite ia para o curso. Sábado, domingos, todo mundo indo para a praia, eu liberava o maridão e ficava estudando até aquela hora que a gente já não retém mais nada. Às vezes no curso tínhamos aula a semana toda, sábado e as vezes até domingo! E eu nunca faltei uma aula, mal chegava atrasada. Fora que ia para o curso no metrô ouvindo as aulas gravadas em sala. Aniversários e vida social só após as 22h quando acabava o curso ou aos sábados de noite. Sem beber para não atrapalhar os estudos do dia seguinte. Foi sacrifício? Sim. Foi privação? Foi. Mas tudo valeu a pena!

Faltando 15 dias para a prova, ainda tinham uns 2 livros que não tinha lido, mas não dava mais tempo. Relaxei. Nesses casos me baseei apenas no conteúdo passado no curso, mais uma vez Radix fazendo a diferença. Comecei a reler os fichamentos e fazer resumo dos resumos, dessa vez com post-it’s colados em cima das fichas, destacando ainda mais os pontos importantes.

Até a sexta antes da prova tivemos aula no curso, estava muito cansada mentalmente. Gente, não se iludam: não é fácil! Mas no dia da prova eu fui com pensamento de gabaritar, pois com apenas 1 vaga a disputa seria muito acirrada. Estava preparada, totalmente focada, sem deixar o emocional me abalar, apesar do nervosismo inevitável. O tema da redação estava me preocupando, mas revelaram logo no início da prova e era um tema tranquilo (O país que queremos deixar para nossos filhos), então relaxei e fui fazendo a prova com calma. Até mais ou menos a vigésima questão eu não tinha dúvida nenhuma, fui achando fácil… Estava tudo fresquinho na memória por causa dos fichamentos que reli nas 2 semanas anteriores. Mas no final da prova confesso que já estava bem cansada. Dei uma pausa para fazer a redação, depois voltei nas questões que tinha dúvida, deixei um tempo sobrando para marcar o cartão com calma (isso é imprescindível!).

Quando saí da prova, todos falando que a prova estava difícil, pensei: pronto! Achei fácil porque devo ter errado tudo! Mas chegando em casa comecei a pegar os livros e vi que muitas eu realmente tinha acertado. Enfim, não vamos especular, esperemos o gabarito! Quando depois de torturantes semanas ele veio, realmente eu tinha errado apenas 2 questões, nem acreditei! Todos já começaram a me parabenizar e isso é muito louco, pois você não sabe se outra pessoa acertou 1 a mais que você e ficou com a vaga, então decidi relaxar, colocar o pé no chão e tentar conter a expectativa até o resultado sair. Pelo sim, pelo não, voltei para a academia e comecei a treinar para o teste físico, pois tinha parado para estudar e nunca fui muito amiga da esteira.

Atrasaram, atrasaram e quando finalmente saiu o resultado…. Eu fui pra galera! Rs… É uma sensação muito boa, gente! Um mix de orgulho, gratidão, incredulidade, sensação de dever cumprido e alívio. Tudo junto e misturado! Nesse momento também achei válido pegar uma personal trainner, pois meu tempo na corrida estava em cima do laço e nada podia dar errado dali pra frente.

De resto correu tudo bem: inspeção de saúde, corrida, natação. Nesse aspecto a Marinha é a Mãerinha, os testes são lights, deu tudo certo.

E agora cá estou eu, esperando o Curso de Formação de Oficiais (CFO) começar, ansiosa pela nova rotina. Bom, falei pacas, afinal, gosto de me comunicar! Hehe… Essa é a minha história, que pode ser parecida com a sua em um futuro breve. É só querer, focar e (no meu caso) ter fé que tudo vai dar certo!

Para finalizar eu queria agradecer a todos que torceram por mim, meu marido Thiago pelo apoio incondicional a todo momento, meus familiares pela força, amigos que entenderam meu “sumiço”, a Débora por me abrir os olhos para o concurso, aos professores que fizeram a diferença, a galera do curso que criou um clima de amizade e não de concorrência, a São José de Cupertino e a Deus, que estiveram comigo o tempo todo. Vocês são maravilhosos! ❤

Ah! Algumas pessoas tem tentado entrar em contato comigo pelas redes sociais, então para facilitar deixo aqui meu e-mail: sabrinavicter@hotmail.com , fiquem à vontade para mandarem comentários, perguntas, etc. Terei maior prazer em ajudá-los!

Beijos e sucesso a todos!

Oração de São José de Cupertino:

Gloriosíssimo São José de Cupertino, protetor dos estudantes, não desprezeis as súplicas que os dirijo implorando vosso auxilio nas provas de meus estudos.

Alcançai-me do Senhor que, como verdadeira fonte de luz e sabedoria, dissipe as trevas de meu entendimento, o pecado e a ignorância, instruindo minha língua e difundindo em meus lábios a graça de sua benção.

Dai-me agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, e no momento do exame, graça e abundancia para falar, acerto ao começar, direção ao continuar e perfeição ao acabar, se assim convém a maior glória de Deus e proveito de minha alma. Como gratidão, eu prometo fazer-vos conhecido e invocado.Amém.

OBS.: tudo que falei aqui é minha opinião, não uma verdade absoluta.”

Depoimento: Henrique Santos

henriqueO depoimento de hoje é do Henrique Santos, que, depois de ver duas primeiras colocações em concursos escorregando por suas mãos, finalmente está realizando o sonho da convocação! Agora, está prestes a assumir o cargo de Jornalista na Câmara de São José, em Santa Catarina.

O Henrique parece que já estava prevendo esta aprovação e, conforme prometido, veio nos contar um pouco da sua história de concurseiro que teve até em prova para bombeiro e administrador! Mas o Jornalismo falou mais alto (é o vício, não tem jeito) e ele acabou voltando para a área.

Ele vai nos contar um pouco também sobre suas técnicas de estudos que envolveu a produção de um material próprio. É muito legal a gente não apenas buscar materiais de outras pessoas, mas construir o nosso próprio. Isso ajuda muito nos estudos com foco nos seus potenciais e nas suas dificuldades.

Henrique, parabéns pela sua aprovação e convocação! Espero que seja muito feliz nesse novo trabalho! E mais uma vez obrigada por partilhar sua história de vida conosco!

“No começo de março, após ler o depoimento da Talita Villalba no site, escrevi no Facebook do ‘Jornalistas Concurseiros’ que meu objetivo também era contar sobre a aprovação num concurso público. Naquela época, já tinha realizado a prova da Câmara de São José/SC e sabia que tinha ido bem (não confiro o gabarito). Em 28 de março, saiu a confirmação do resultado e a minha aprovação para a única vaga de jornalista. Foi o terceiro concurso seguido que fiquei em primeiro. Num, perdi a vaga no desempate pela idade e noutro, após a prova prática.

Concluí Jornalismo em 2008 e em seguida comecei Administração Empresarial. Achava que os concursos eram ‘armados’ e nem adiantava fazer. Os amigos foram passando e resolvi tentar a partir de 2013 me matriculando num cursinho de disciplinas gerais (fiz provas para administrador, bombeiro e até para jornalista). Sem foco e concluindo a faculdade, não deu certo.

Larguei essa vida por um ano e meio, mas resolvi voltar. Novamente me matriculei no mesmo cursinho de disciplinas gerais. No entanto, peguei o edital do concurso que estava por vir (Câmara de Palhoça/SC) e montei uma apostila com os temas de jornalismo pedidos pela banca. Pesquisei tudo no Google e realmente fiz um bom material. Como disse acima, fiquei em primeiro, mas perdi pela idade.

Em seguida, veio a prova do IFSC. Segui a mesma linha de estudo. Primeiro lugar de novo, mas na prova prática caí para terceiro. Era uma vaga apenas.

Mal deu tempo para a tristeza, pois no início de 2016 surgiu o edital da Câmara de São José, cidade vizinha de Florianópolis, onde moro. Estava de férias em janeiro, embora com dois freelas por fazer. O método de estudo foi semelhante: segui com as apostilas de jornalismo (a criada por mim e outra baixada no Facebook), fiz resumo da legislação específica e aulas online de português e informática. O cursinho das disciplinas havia terminado, mas era possível ainda ver aulas em vídeo.

Estudei bastante nas férias de janeiro e durante fevereiro, inclusive no carnaval (só fiz provas da banca, pois ninguém é de ferro). Perdi algumas horas de sono, as férias e alguns quilos, mas ganhei a tão sonhada vaga e olheiras que ainda permanecem no meu rosto. Acho que valeu a pena.

Método de estudo

Depois da aprovação, é legal falar sobre a trajetória de cada um. Em minha opinião, no entanto, o mais importante deste espaço são as dicas de estudo. Aqui, peguei dicas muito valiosas como a prática de exercícios e o conhecimento da banca examinadora.

Além das minhas apostilas (que lia, rabiscava, anotava), adotei a prática de fazer exercícios todos os dias. No trabalho, enquanto tomava um cafezinho, fazia exercícios de português e informática no site do PCI. Coisa rápida e muitas vezes bem fácil, mas servia para exercitar a mente e relembrar conceitos. Também peguei provas anteriores da banca (cinco ou seis) e as fiz, refiz, etc. No dia anterior da prova, cheguei da casa da namorada de madrugada e refiz as duas provas mais recentes da banca. Ali, vi algumas manhas das questões e as adotei na prova. Provavelmente, esta estratégia tenha sido fundamental para minha aprovação.

Apesar dos exercícios serem importantes, não os fazia desde o início dos meus estudos. Deixava para mais perto da hora da prova (um mês antes) quando eu já estava mais afiado. Assim, tinha confiança no meu potencial, fixava o conteúdo e aprendia com os erros. A mesma coisa aplicada às provas. Não adiantava fazer bem antes, esquecer o conteúdo ou simplesmente acumular erros e perder a confiança.

Outra coisa que julgo fundamental: estudar informática ou matérias “menos importantes”. Curiosamente, desde 2013 sempre fui bem na parte de informática nos concursos. Nos três que fiz entre 2015 e 2016, gabaritei dois (no primeiro errei uma questão). Neste de São José, gabaritei, sendo que a segunda colocada errou todas as questões (fiquei um décimo à frente dela na classificação geral). Além disso, entre 30 primeiros colocados, só eu e o 30º gabaritamos o quesito.

Estudava informática nas apostilas, fazia exercícios, mas o principal era estudar na frente do computador. A combinação da teoria com a prática me ajudou a memorizar as teclas de atalho, caminhos, nomes, pastas e toda aquela parafernália exigida na área.

Estudava três, quatro horas por dia (às vezes mais, às vezes menos), e na última semana aumentei o ritmo, mas sempre fazendo pequenos intervalos ou relembrando conceitos enquanto lia jornais, via telejornais ou mesmo fazendo mapas mentais na academia, correndo, etc. Essa “fuga” das apostilas e cadernos funcionou tanto ou melhor do que apenas ler. Aliava a teoria à prática, facilitando a assimilação.

Por fim, saliento que minha trajetória até a aprovação não foi tão sofrida como a de muitos colegas. Segui trabalhando, namorando, indo à academia, concluí a pós-graduação, etc. A única coisa que abri mão foi do futebol com os amigos às quintas-feiras (já voltei). Ainda assim, é uma rotina cansativa, estressante e a cada prova a pressão aumenta. O caminho é complicado, mas vale a pena!”

Depoimento: Valéria Feitoza

valeria_feitozaSabe aquelas pessoas que a gente só conhece pelo Facebook, mas sente um carinho tão grande como se ela fosse uma velha conhecida? Pronto! É assim que eu vejo a leitora Valéria Feitoza!

Primeiro de tudo, ela é a queridíssima que conseguiu para gente uma cópia da prova do Senado! Teve o maior trabalhão de organizar o arquivo, que era uma prova impressa e toda rabiscada, e transformou em ouro em pó, disponibilizando para nós, pobres mortais concurseiros!

Foi nesse momento que acabei conhecendo um pouco da história de Valéria. Ela já era servidora pública de um órgão federal de renome, mas estava infeliz! Como assim passar em um concurso público pode não ser a oitava maravilha do mundo? Infelizmente, há histórias como a dela… Longe de casa e com problemas de adaptação, ela continuava na luta dos estudos porque salário bom não é a única coisa que pode importar num emprego! Fiquei muito tocada com tudo isso e rezando para que toda a dedicação dela fosse convertida em logo em uma outra aprovação! Queria abraçá-la e dizer: não desista, isso é só uma fase, em breve você vai conseguir!

E enfim, assim meio sem esperar, ela acaba de ser convocada para o Tribunal de Contas do Distrito Federal, onde vai atuar na área de Comunicação! Não precisa dizer que dei pulinhos de alegria e na hora pedi para ela escrever um depoimento aqui para o blog, né?

Valéria, fiquei com aquele nó na garganta de ler toda a sua história de dores e sucessos, mas sinto muito orgulho e alívio no peito por você estar tendo oportunidade de ter todo o seu esforço reconhecido, por estar de volta pra casa! “Lar é onde o nosso coração está”! Você é um exemplo! Parabéns mais uma vez, que seja muito feliz no seu novo emprego! E que venha o Senado!

Acompanhem a trajetória da Valéria e venham se emocionar também!

“Quem me vê nessa foto, feliz, realizada, assinando a minha posse no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), nem imagina o que passei até alcançar essa conquista… Quem quiser saber, senta, que lá vem textão!

O início – Dezenove de fevereiro de 2011. Esse foi o dia em que, oficialmente, começou a minha trajetória de estudos para concursos. Depois de quase 2 anos trabalhando feito louca em um ministério, como terceirizada, pedi demissão pra me dedicar àquilo que eu considerava ser a saída para todos os males da minha vida: a crise profissional, a crise do mercado de jornalismo, a instabilidade do mercado, a sensação de sempre estar sendo explorada, ainda que com um bom salário (mas sem direito trabalhista nenhum e sob uma pressão insana diariamente).

Na verdade, desde 2008 eu já vinha fazendo umas provas, aqui e ali, mas sem estudar direito (às vezes sem estudar nada! Hahaha). Enfim, dedicaria meu tempo, meu esforço e meus recursos para um projeto pessoal, e não para bater metas que só serviam pra encher os bolsos de outras pessoas e pra me adoecer de estresse. Entrei no mundo dos concursos não por vocação ou vontade verdadeira, mas pra fugir daquilo que eu considerava ruim na minha vida profissional. Se identificou aí? Então vai vendo.

Só que esse dia também marcou meu primeiro erro estratégico. Eu, como muitos, lia aqueles depoimentos fake de “estudei apenas 2 meses e passei em primeiro lugar!” e achei (ô dó!) que era só sentar a bunda na cadeira, estudar 12h por dia e pronto: a aprovação viria rápida, mágica, certeira, maravilhosa, abrindo as portas para uma vida paradisíaca, em que meu único problema seria esperar o pagamento no fim do mês, sem medo de demissão, de chefe carrasco, de nada. De novo: ô, dó!

Acontece que não era só Direito, Informática, Raciocínio Lógico e outras matérias que eu tinha de aprender. Eu não sabia que os concursos para comunicação eram raríssimos. Eu não sabia que carreira seguir. Não sabia que órgão/instituição era melhor pra se trabalhar. Eu não sabia que ficar sentada lendo por 8h seguidas dava uma dor na coluna absurda, um cansaço enorme, uma ansiedade monstra, e que nada disso ajudava a reter melhor o conteúdo – ainda mais porque desde o vestibular eu não fazia maratonas de estudo, e isso já fazia quase 20 anos.

Eu também não sabia que estudar pra concurso é diferente de estudar pra qualquer outra coisa. Não fazia ideia do que era curva de aprendizagem, mapa mental. Não sabia que precisava dominar o pensamento da banca, mais do que dominar o conteúdo. Não sabia lidar com a minha ansiedade, com os momentos em que eu me sentia burra e incapaz. Principalmente: não sabia que, pra passar em concurso, não existe mágica. Só existe dedicação, disciplina, repetição, treino, técnicas de estudo e estratégia de médio a longo prazo. E muita, muita resiliência. Eu só sabia que queria passar e que tinha largado um “bom” emprego pra correr atrás disso. Nota dez em iniciativa e zero em planejamento estratégico.

Escolhendo a carreira – Assim foi que meus primeiros 2 meses de preparação foram totalmente jogados no lixo, porque eu estudava sem método e sem direcionamento. Nem sequer conseguia atingir a meta de 8h de estudo por dia. A essa altura, outro problema já me incomodava: a presidente Dilma tinha anunciado, logo depois da minha demissão, que suspenderia todos os concursos do Executivo. Era o primeiro ano de mandato dela e precisava ajustar as contas do governo (se identificou de novo, né?). “Então tá, vou estudar para tribunais e pro Senado (que tinha previsão de concurso para dali a poucos meses)”, pensei. Foi assim que decidi meu rumo. Aí os tribunais superiores também anunciaram adiamento dos editais e o Senado seguiu a mesma decisão. “Silasquei”.

Tive de voltar para o mercado de trabalho, porque minha grana não ia durar até essa galera toda liberar os concursos de novo. Fui pra outro ministério, também como terceirizada, mas com jornada de 5h diárias. Aí, sim, minha preparação finalmente começou de fato.

Mantive a decisão de estudar para tribunais e para o Senado. Entrei num cursinho/pós graduação no melhor lugar de Brasília. Trabalhava das 14h às 19h, tinha aula das 19h15 às 22h45 todos os dias e revisava o conteúdo na manhã seguinte, numa biblioteca perto do trabalho. Estudava nos fins de semana e feriados, sem nenhum sofrimento. Tomei gosto por aprender.

O primeiro baque (OU “Aprendendo o que é resiliência”) – No final de 2011 ou início de 2012 (não lembro bem), o Senado divulga o tão esperado edital, com 9 vagas para o cargo que eu queria (jornalista – impresso) e sem cadastro de reserva. Só iriam corrigir as redações dos 9 primeiros, considerados os empates. A prova seria em março de 2012. Eu tinha uns quase 3 meses pra estudar. Já tinha uma boa base das disciplinas gerais, já tinha alcançado uma pontuação legal no concurso do Procon/DF. Só precisava arrochar nos conhecimentos específicos. E assim eu fiz. Há quase um ano eu não sabia o que era ter vida social, final de semana ou feriado livre. Amigos e família já estavam acostumados. Namorido, também concurseiro, era parceiríssimo nessa preparação. Então não foi difícil.

No dia da prova, duas questões me fizeram passar uma raiva louca. Uma pegadinha desonesta de inglês e uma questão de atualidades sobre novelas. Errei as duas (na verdade errei outras também, mas só fiquei com raiva dessas duas). Esbravejei, mandei recurso, nada. Sai o resultado das provas objetivas: fiquei em 18º lugar, 3,75 pontos abaixo do 9º colocado, que seria o último a ter a redação corrigida. Aquelas duas questões (que valiam 2 pontos cada) me tiraram a chance de ganhar R$ 18 mil por mês iniciais e trabalhar no Senado.

Os amigos e conhecidos me parabenizavam pela aprovação nas provas objetivas e eu tinha de explicar que minha redação nem sequer seria corrigida com aquela pontuação. E cada vez que eu fazia isso, chorava um rio por dentro. Eu estava exausta, desiludida, com raiva do mundo e de mim. Cadê encontrar energia pra voltar a estudar? Cadê disciplina, autoestima? Demorei uns 4 meses pra retomar o mesmo ritmo. Mas retomei, do zero. Peguei a prova, fiz uma análise racional dos erros, de onde eu precisava melhorar, montei um plano de estudos e voltei a fazer cursinho, mas só pra disciplinas específicas. Fiz outros tantos concursos e ia medindo meu avanço na pontuação. No início de 2013, passei no TRT/DF (em “rabagésimo” lugar, mas passei).

Quando o trabalho atrapalha (OU “Demissão de novo”) – Dali para agosto de 2013, eu estava estudando feito louca para o concurso do MPU, reta final de preparação, a prova seria no final de setembro. Era vaga pra Comunicação, era uma instituição que todo mundo considera muito boa. Um salário muito bom pro mercado atual. Nessa época, por causa de uma mudança de contrato da empresa com o ministério, minha jornada tinha sido ampliada pra 7h diárias, mas com carteira assinada. Eu tinha uma combinação com a minha chefe imediata de trabalhar das 12h às 19h direto, de forma que conseguia estudar legal de manhã e à noite.

Só que aí mudou a chefia. E aí que o chefe novo “não gostou” de ter uma pessoa entrando no trabalho ao meio-dia. E mandou eu trabalhar das 10h às 19h, com 2h de almoço. Quebrou geral minha rotina de estudos, a um mês da prova. Pensei: “não posso deixar isso me abalar”. Mas claro que abalou. Eu quis manter o mesmo ritmo frenético de estudos e aconteceu o inevitável: adoeci. Tive uma crise de tendinite sem precedentes. Fui ao ortopedista: “minha filha, você vai ter que tirar atestado e fazer 10 sessões de fisioterapia em 2 semanas, senão nem vai conseguir fazer a prova, porque sua mão vai doer muito.”

Tirei o atestado, chefe adorou (sqn). Fiz a fisioterapia, segui todas as ordens médicas, mas aproveitei a licença para… estudar. Eu não podia digitar nem escrever, então lia muito, o dia todo. Respondia questões mentalmente. Fiz a prova, passei em 22º lugar para o DF e em 27º no cadastro nacional. Tinha chance de ter ido muito melhor, mas toda aquela situação na reta final da preparação me atrapalhou um monte. Então me planejei, juntei uma grana e pedi demissão, de novo, em maio de 2014. Abri mão de um salário alto, com carteira assinada. Mas dessa vez foi planejado. Dessa vez eu tinha base, meta, direcionamento e a certeza do que estava fazendo.

Aplicando novos métodos de estudo (finalmente!) – Nessa segunda fase de dedicação exclusiva aos estudos, procurei saber mais sobre técnicas de estudo pra ter um aproveitamento melhor e passar dentro das vagas do edital. Não tinha grana pra fazer coaching, então fui atrás de vídeos no youtube sobre as técnicas mais eficientes de leitura e memorização, li muitos artigos sobre programação neurolinguística, sobre estudar ouvindo “ruído branco” pra aumentar a concentração (sim, funcionou pra mim). 

Descobri uma amiga do tempo do segundo grau que tinha feito coaching, marcamos um café e ela me passou dicas valiosíssimas sobre planejamento de estudos: como organizar as sessões de revisão, como distribuir melhor as horas de estudo, como decidir que disciplinas precisam de mais ou menos dedicação etc (Obrigada, Ju!). Nesse tempo também descobri o blog Jornalistas Concurseiros e o grupo homônimo do Facebook. Troquei experiências, impressões, dicas de estudo e materiais que também renovaram meu ânimo.

Seis meses de estudos com essas novas técnicas deram um excelente resultado: de 22º lugar no MPU, subi para 13º no CNMP. E, entre esses dois concursos, passei também para Técnico de Administração Pública no TCDF, em 25º lugar, enfrentando uma concorrência de 1270 candidatos por vaga (!!!). Esse do TCDF eu meio que fiz só pra treinar, mas estudei a sério porque o edital, a banca e a remuneração eram equivalentes aos concursos pra analista de tribunais superiores, apesar de ser um cargo de nível médio.

Primeira nomeação (OU “O que ninguém te conta sobre ser servidor público”) – Dia 27 de março de 2015, recebi um e-mail da comissão de concurso do MPU, convocando para manifestar interesse em duas vagas, uma em Curitiba e outra em Macapá. Na euforia, pensei “ah, eu topo ir pra qualquer lugar, o que importa é ser nomeada. Anda mais no MPU!”. Dia 8 de abril saiu minha nomeação no Diário Oficial da União, para Macapá (AP). Acordei com a notícia. Mas, estranhamente, não comemorei. O que me deu foi um medo absurdo. Como assim, morar no Amapá? Caiu a ficha e eu percebi que ia ser complicado ir pra tão longe.

Enquanto decidia se ia ou não assumir a vaga (não tomar posse significaria esquecer o concurso, sem chance de voltar pra fila de aprovados), fui fazendo os exames médicos, lendo sobre a cidade e conversando com a servidora de lá que eu iria substituir. Cheguei em Macapá dia 5 de maio de 2015, tomei posse dia 6. Fui muito bem recebida, descobri que a cidade é linda e as pessoas do Norte são maravilhosas, fiz amigos pra toda a vida lá. Mas também descobri aquilo que ninguém conta pra gente sobre ser servidor público e passei pela situação mais difícil de toda a minha vida pessoal e profissional.

Namorido ficou em Brasília (ele é concursado aqui), e a passagem pra vir pra casa nos finais de semana era caríssima, em média R$ 1 mil. Fiquei morando em hotel pra não gastar com mobília e ter grana pra ver a família de 2 a 3x por mês. Minha chefe virou uma espécie de irmã pra mim. Só que eu descobri que aquele MPU para o qual eu fiz concurso, aquele que eu via como um lugar maravilhoso pra trabalhar, não é tão bom assim. Na verdade, nenhum órgão ou instituição é o paraíso e passar em concurso não livra ninguém de passar por problemas e aborrecimentos relacionados ao trabalho.

No caso do MPU, nos últimos anos, a gestão da administração superior passou a ser cada vez mais voltada para a atividade finalística, leia-se, a atuação dos procuradores. Para eles, o céu é o limite. Para os servidores: perdas salariais acumuladas e sacrifícios. Quando eu entrei, a carreira dos servidores já amargava 10 anos sem reposição de perdas salariais. Havia acabado de rolar uma grande greve, sem resultados concretos, e rolou uma segunda greve, de menor proporção, durante os meses em que estive em Macapá. Pessoas insatisfeitas, decepcionadas, mas ainda com esperanças de ver aprovado um projeto de lei de reorganização da carreira, que está no Congresso. (PS.: Esse mesmo PL foi o que me convenceu a ir pra Macapá, pois ele também diminuía de 3 anos para 1 ano o tempo mínimo pra poder pedir remoção e voltar pra casa). 

Vocês não sabem o que é ter acabado de ser nomeada e ouvir muitas coisas ruins sobre o órgão. Não era só o salário que estava desvalorizado (e pra mim isso nem pesava tanto, eu achava a remuneração boa). O dia-a-dia dessa política de ‘tudo para os procuradores e nada para servidores’ criou um abismo entre as duas carreiras, em vários aspectos. O período também não era favorável para a Comunicação Institucional, que perdeu muita força. Pra completar, a administração superior do MPU mandou um substitutivo do PL para o Congresso, à revelia dos servidores, retirando a maior parte dos ganhos salariais. Até hoje esse PL não foi aprovado, diga-se de passagem.

Claro que, acima de qualquer problema, estar empregada em meio a essa crise econômica já era, por si só, uma grande vantagem. Mas o fato é que eu nunca comemorei verdadeiramente minha nomeação no MPU nem a ida pra Macapá. Além dessa realidade organizacional, estar longe da família me deixou extremamente vulnerável, o que me fazia enxergar só a parte ruim da experiência. A dificuldade de adaptação me levou a pedir afastamento médico em novembro, seis meses depois da posse. Fui pra casa e estava decidida a não voltar pra Macapá. Queria pedir exoneração, esquecer que o MPU existia e recomeçar (de novo!) do zero nos estudos. 

À medida que o meu tratamento avançou, aos poucos aceitei a ideia de voltar para o Amapá e encarar a experiência no MPU com outros olhos e outro astral, olhando mais para as vantagens e menos para os problemas. Voltei para Macapá dia 11 de janeiro, ganhei duas estagiárias pra me ajudar e estava bem mais confiante.

Surpreendentemente, menos de dois meses depois, recebo a ligação do TCDF dizendo que seria nomeada em breve e perguntando se tinha interesse em assumir o cargo. Minha nomeação saiu dia 15 de março de 2016. Tomei posse 6 dias depois e fui encaminhada direto para a Comunicação, com a sorte de ter como chefe uma amiga querida. Comemorei muito, abri champanhe, chorei de alegria!

Pela primeira vez nesses 5 anos e um mês, desde que entrei no mundo dos concursos, estou verdadeiramente feliz com o resultado que conquistei. O sorriso da foto não exprime 1% da minha felicidade. Se eu pretendo parar de estudar? Não! E meu objetivo continua sendo o Senado. Para o alto e avante! “