Depoimento: Danyelle Woyames

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“Tente/ E não diga que a vitória está perdida/ Se é de batalhas que se vive a vida/ Tente outra vez”. Tente Outra Vez – Raul Seixas

Lendo o depoimento da Danyelle, imediatamente me veio à mente essa música de Raul Seixas. Pense numa pessoa que não deixou de correr atrás dos seus sonhos, mesmo com tantas dificuldades que passou? Sempre acreditando que havia algo melhor guardado para ela! E havia sim! Para as pessoas batalhadoras, não há outro destino!

Ela passou até necessidades financeiras durante a sua vida de estudante, mas continuou buscando a realização profissional, mesmo com tantas pessoas sempre dizendo pra ela que “jornalista morre de fome!”. A vontade de seguir adiante falou mais alto!

Desde que resolveu buscar uma vaga no serviço público, fez várias provas. Uma delas, a do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), concurso que foi anulado por problemas na organização. Ela não desistiu, fez a prova pela novamente e passou em segundo lugar (o concurso tinha apenas uma vaga).

E quando já não tinha mais lágrimas para chorar a bola na trave, uma incrível surpresa: foi convocada para o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Como os dois órgãos são do Ministério da Educação, foi possível ser chamada para outro órgão diferente. Confesso que já vi isso ocorrer com quem já é servidor e fico feliz em saber que optaram por chamar você ao invés de simplesmente colocar um terceirizado nessa vaga.

Dany, muito obrigada por vir aqui contar seu depoimento. Chorei do início ao fim! Você é realmente uma guerreira, muito orgulho da sua determinação e coragem! Parabéns por essa conquista! Tenho certeza que sua mamãe te acompanha para sempre em sua jornada!

“Tenho 27 anos e me formei em Jornalismo em 2010 pela Universidade Estácio de Sá. Fiz a faculdade através do ProUni, com muito esforço e dedicação para manter boas notas, tendo que conciliar os estudos com um estágio nun jornal local que me pagava R$ 300,00 por mês e a passagem, o que só bancava minha ida e algum material de estudo. Cheguei a ficar com fome várias vezes porque o dinheiro não sobrava para o lanche.

Minha família nunca teve dinheiro, estudei em escola pública, imagina então se poderia pagar uma faculdade! E todos sabem que estudar e ter que trabalhar é algo complicado. Mas meus pais sempre me ensinaram o valor do conhecimento, da persistência, do esforço e dedicação. Nunca deixei o fato de estudar em escola pública estadual, sem estrutura, esmorecer minha vontade de aprender e vencer na vida. Devo a eles o que sou e minha força de vontade. Consegui, depois de muita batalha, me formar e por lágrimas de orgulho nos olhos do meu pai e sei que minha mãe, onde quer que esteja (perdi ela quando eu tinha 15 anos), também se orgulhou de mim.

A paixão pelo Jornalismo me fez manter meu foco, mesmo com todos me dizendo que “eu morreria de fome se fosse querer viver de comunicação”. E sim, depois de formada os momentos de desespero foram muitos. Trabalhei em loja porque não conseguia vaga para trabalhar no que me formei. Cheguei a amaldiçoar minha escolha, mesmo não me vendo fazendo nada além disso na vida.

Sempre pensei que a paz da carreira estatutária seria um bálsamo num mercado de trabalho cada vez mais acirrado. Antes de terminar o Jornalismo eu já tentava alguns concursos para nível médio, como um do Arquivo Nacional que fiz aos 18 anos. Depois do Jornalismo, tentei um para nível médio no Ministério Público do Rio de Janeiro. E tentei também vários para jornalista, todos sempre com pouquíssimas vagas (o que sempre foi um fator meio desanimador): Petrobrás, Transpetro, Câmara de Vereadores, algumas prefeituras de cidades até fora do meu eixo de conforto. No da Transpetro foram mais de 2.000 inscritos só no Rio e eu fiquei em 47°. Achei uma boa colocação na época mediante à concorrência, mas só existiam duas vagas. Dos outros eu sinceramente não lembro quais foram minhas colocações. Mas nunca pude me dar ao luxo de só me dedicar aos estudos, pois realmente precisava de um salário para pagar minhas contas. Passei por alguns empregos como jornalista e como assessora de imprensa, todos com salários baixos, mas era o que conseguia.

Até que, no ano passado, me inscrevi para o concurso do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), que tinha também apenas uma vaga. Todos me perguntaram se eu realmente ia fazer esse concurso, pois a organizadora era pequena, desconhecida, do interior de Minas Gerais e diziam que “este concurso devia ser marmelada para que cartas marcadas entrassem”. Ainda assim, decidi que faria, pois sempre aprendi que o “não” já temos e é preciso focar no “sim”.

Pense num dia em que tudo dá errado! Foi assim no dia da prova. Havia uma maratona no Centro do Rio e eu não sabia. Moro em São Gonçalo e mesmo eu saindo cedo de casa, o engarrafamento estava absurdo na Ponte Rio-Niterói e na Av. Presidente Vargas. Faltando uns 15 minutos para o horário que estava marcado no cartão de confirmação (que não foi especificado se era o de abertura dos portões, fechamento deles ou de início das provas) eu ainda estava na Candelária e a prova era no Edifício Menezes Cortes (quem não é do Rio pode dar uma procurada no Google que vai ver que é um pouco longe). Desci do ônibus e saí correndo, no meio dos maratonistas, xingando todos eles mentalmente por terem resolvido correr exatamente naquele dia e local. Cheguei no prédio arfando e a fila estava enorme do lado de fora. Bom, pelo menos eu não era a única que tinha tido problemas… como é um prédio bem alto, todos precisavam esperar o elevador. Um dos funcionários da organizadora tranquilizou a todos dizendo que entraríamos a tempo. Fato é que, devido às circunstâncias, a prova atrasou.

Quando finalmente todos estavam nas salas, as provas chegaram e a fiscal nos mandou iniciar. Ainda não havia tocado o alarme e houve alguns protestos. Ela disse que o sinal não tocaria devido ao atraso. Começamos a prova e, 10 minutos depois, tocou o sinal! Todos se desesperaram. Era fato que a prova seria anulada depois de tantos problemas. E ainda existiram algumas questões bem falhas na prova mesmo, passíveis de recurso.

Como todos imaginavam, a prova foi anulada e remarcada. Muitos me falaram para desistir e pegar meu dinheiro de volta. Mais da metade dos candidatos fizeram isso. Mas eu insisti. Quando remarcaram, me jogaram para Copacabana, que é bem mais longe de onde moro. E para completar, fiquei doente no dia. Estava com a garganta inflamada, nariz entupido e febre. Mas lá fui eu. Fiz a prova e fiquei aguardando o resultado.

Quando vi que fiquei em segundo lugar, senti um misto de orgulho e amargura. Minha colocação era ótima? Sim. Mas só havia uma vaga. Comecei então a monitorar o Diário Oficial para ver se a primeira colocada tomaria posse. Vi ela ser convocada, a ansiedade aumentando. Quando li que ela havia tomado posse, meu estômago afundou. Procurei seu perfil no Facebook e vi a foto da solenidade. Fiquei novamente dividida entre a empatia pela conquista dela e a tristeza por estar tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe. Depois de chorar um bocado, pensei “vida que segue, bora para o próximo”. E para mim esse concurso tinha acabado aí.

Até que, em julho de 2015, recebi um telegrama referente a este edital, me convidando a demonstrar interesse em tomar posse como jornalista no IFRJ (na ocasião em que recebi o telegrama, nem me atentei que era outro órgão, só reparei no nome do edital) e dizendo que eu precisava entrar em contato com eles até dia 14, que era dois dias antes da data em que recebi o telegrama: dia 16, de noite, que foi o horário em que cheguei do trabalho. Quase surtei! Imaginei que tinha perdido a oportunidade da minha vida por culpa dos Correios. Liguei no dia seguinte desesperada para o número que constava no telegrama, explicando que só havia recebido o telegrama no dia 16, atrasado. Fui tranquilizada pela servidora do RH que disse que eu não tinha perdido a vaga e me explicou que eu estava sendo chamada para um órgão diferente, que não era o Ines, mas que isso era possível por ambos serem do Ministério da Educação e por essa possibilidade estar prevista no meu edital, que ainda estava vigente. Então eu corri com os exames e com a papelada e, no início de agosto, tomei posse. Um dos melhores dias da minha vida!

Hoje trabalho com uma equipe maravilhosa! A remuneração não dá para ficar rica (rs), mas é mais do que o mercado está pagando e com a vantagem de ser regime estatutário. E, depois de trabalhar com tanta gente ruim e em ambientes tão hostis, garanto que nada paga a paz de trabalhar com uma equipe nota dez e com pessoas boas, que não querem pisar em você para se elevarem. Meus colegas de trabalho são ótimos e estou muito feliz lá.

Então colegas, depois dessa minha saga, espero que acreditem que absolutamente TUDO é possível e que o que é nosso está reservado e tem seu tempo para acontecer. Basta não esmorecer, confiar e estudar! Sobre os estudos, confesso que não tenho grandes dicas, apenas me focava em estudar mais o que eu realmente não sabia, como a legislação do órgão em questão. E teorias da comunicação e funções da comunicação interna, que sempre caem. Boa sorte a todos vocês!”

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4 opiniões sobre “Depoimento: Danyelle Woyames”

  1. Fez concurso e passou, mas não sabe que “através” não é a mesma coisa que “por meio”. Texto cheio de erros, achei um horror

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