Jornalista x Radialistas ou Jornalistas + Radialistas? Polêmica no concurso da Alepe!

Quem conhece um pouquinho da minha história, sabe que me formei em Rádio e TV e por levar muita “porta na cara” na hora de arrumar empregos e principalmente fazer concursos na área, acabei me formando em Jornalismo também.

Quando lançaram as vagas do concurso da Alepe, eu vi logo que a habilitação de Rádio e TV não tinha sido considerada nas áreas de Rádio, TV e Mídias Digitais. A situação para mim é muito cômoda, mas gosto das coisas certas e justas! Para quem me procurou triste ou revoltado, fiz o que sempre faço: orientei a procurar o sindicato da categoria! Alguns radialistas acabaram recorrendo ao Sindicato dos Radialistas de Pernambuco que lançou a nota abaixo:

“Sindicato questiona critérios de edital do concurso da ALEPE

O Sindicato dos Radialistas protocolou nesta terça-feira, 04 de fevereiro, Ofício Administrativo na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco solicitando reunião, em caráter de urgência, com a coordenação do Concurso Público para questionar a falta de vagas para profissionais Radialistas no Edital nº 01/2014, e requerer retificações, tendo em vista, que as vagas disponíveis de: Especialidade Comunicação Social – Área Rádio (B02); Especialidade Comunicação Social – Área Mídias Digitais (C03); e Especialidade Comunicação Social – Área TV (D04), devem ser preenchidas por profissionais habilitados em radialismo.

Acreditamos que houve por parte dos idealizadores do referido edital uma falta de conhecimento aprofundado sobre os cursos superiores de Radialismo ou Rádio e TV, com habilitação em Comunicação Social, que existe em várias universidades federais do país, em particular aqui no Recife.

Resguardados pela lei 6.615/78 que regulamenta a profissão do Radialista, onde constam as atribuições dos profissionais da área, as quais se encontram relacionada no edital N° 01/2014 da ALEPE, o qual, equivocadamente, exige formação em jornalismo para as áreas rádio e TV, orientamos que os profissionais Radialistas interessados em participar do concurso da ALEPE inscrevam-se imediatamente, para não perder o prazo de inscrição. Tendo em vista, que o Sindicado dos Radialistas está buscando resolver essa pendência, a princípio junto a coordenação do concurso, e caso não venha obter êxito irá recorrer a justiça para garantir aos Radialistas seus direitos, os quais encontram-se prejudicados por conta de um erro na elaboração do edital.

A DIRETORIA”

Baseado nas legislações abaixo, tanto RADIALISTAS quanto JORNALISTAS podem concorrer ao menos às vagas de Rádio e às de TV. Nem só uma área (como ficou parecendo o texto do Sindicato) e nem só outra (como prevê o edital)… Considerando que as leis são muito antigas e que não contemplam a internet, as vagas de Mídias Sociais ficam meio “soltas”, mas ao me ver também poderiam ser concorridas pelas duas áreas, principalmente se levarmos em conta os novos currículos dos cursos de Rádio e TV (que em algumas faculdades já têm o nome de “Multimeios” ou “Rádio, TV e Internet”). Vejam o que dizem as legislações:

DECRETO-LEI 972/1969 que regulamenta a LEI 972/1978, sobre o exercício da profissão de JORNALISTA
(…)
Art 2º A profissão de jornalista compreende, privativamente, o exercício habitual e remunerado de qualquer das seguintes atividades:
a) redação, condensação, titulação, interpretação, correção ou coordenação de matéria a ser divulgada, contenha ou não comentário;
b) comentário ou crônica, pelo rádio ou pela televisão;
c) entrevista, inquérito ou reportagem, escrita ou falada;
(…)
g) coleta de notícias ou informações e seu preparo para divulgação;
(…)
Art 3º Considera-se empresa jornalística, para os efeitos deste Decreto-Lei, aquela que tenha como atividade a edição de jornal ou revista, ou a distribuição de noticiário, com funcionamento efetivo idoneidade financeira e registro legal.
§ 1º Equipara-se a empresa jornalística a seção ou serviço de empresa de radiodifusão, televisão ou divulgação cinematográfica, ou de agência de publicidade, onde sejam exercidas as atividades previstas no artigo 2º.
(…)
Art 6º As funções desempenhadas pelos jornalistas profissionais, como empregados, serão assim classificadas:
a) Redator: aquele que além das incumbências de redação comum, tem o encargo de redigir editoriais, crônicas ou comentários;
b) Noticiarista: aquele que tem o encargo de redigir matéria de caráter informativo, desprovida de apreciação ou comentários;
c) Repórter: aquele que cumpre a determinação de colher notícias ou informações, preparando-a para divulgação;
(…)
e) Rádio-Repórter: aquele a quem cabe a difusão oral de acontecimento ou entrevista pelo rádio ou pela televisão, no instante ou no local em que ocorram, assim como o comentário ou crônica, pelos mesmos veículos;
(…)

LEI 6615/ 1978 que regulamenta a profissão dos RADIALISTAS
(…)
Art 2º Considera-se Radialista o empregado de empresa de radiodifusão que exerça função estabelecida no anexo deste Regulamento.
Art 3º Considera-se empresa de radiodifusão, para os efeitos deste Regulamento, aquela que explora serviços de transmissão de programas e mensagens, destinada a ser recebida livre e gratuitamente pelo público em geral, compreendendo a radiodifusão sonora (rádio) e radiodifusão de sons e imagens (televisão).
Parágrafo único. Considera-se, igualmente, para os efeitos deste Regulamento, empresa de radiodifusão:
(…)
d) a entidade privada e a fundação mantenedora que executem serviços de radiodifusão, inclusive em circuito fechado de qualquer natureza; (A Alepe meio que se encaixa aqui, pois possui uma Rádio e Tv internas)
(…)
Art 4º A profissão de Radialista compreende as seguintes atividades:
(…)
II – Produção;
(…)
§ 2º As atividades de produção se subdividem nos seguintes setores:
a) autoria;
b) direção;
c) produção;
(…)
f) locução;
(…)

Ainda não sei o que pode dar essa questão polêmica, mas aviso de antemão aos JORNALISTAS e RADIALISTAS: não fiquem sofrendo com isso, apenas estudem! Aos radialistas, cabe ainda ação na justiça, tem que ficar acompanhando o desenrolar da história junto ao Sindicato (não apenas reclame do Sindicato, ele é formado por sua categoria, então faça sua parte e lute pelos seus direitos). Aos jornalistas, não fiquem apavorados ou mesmo com raiva “desse povo que só vai aumentar a concorrência”. Como querer ser um funcionário público, servir em uma assembleia legislativa e ainda ser contra a quem busca os seus direitos? E como você se sentiram quando saiu a decisão que o diploma de jornalista não era mais necessário? Se sentiram injustiçados? Tristes? Revoltados? Então, acho que sabem um pouquinho o que os radialistas estão sentindo!

Estudem, estudem e estudem! Os primeiros colocados serão aqueles que conseguirem se destacar melhor. Seu maior concorrente sempre será você mesmo!

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12 opiniões sobre “Jornalista x Radialistas ou Jornalistas + Radialistas? Polêmica no concurso da Alepe!”

  1. Bom… não sei muito bem o que pensar. Mas recordo de uma confusão grande que deu em Fortaleza quando viram que muitos dos apresentadores dos telejornais não tinham formação em jornalismo, eram, boa parte, radialistas. E lá foram eles sentar-se em cadeiras universitárias para conquistar o tao necessário diploma. Não conheço a grade curricular do curso de Radio e TV, mas talvez seja essa uma das justificativas para que se exija a formação de jornalista (seria uma formação “mais completa”?). Outro ponto a ser questionado é se a ALEPE busca jornalistas profissionais e não radialistas… São suposições.
    Na coroa da moeda, entretanto, levanto outra questão. Não estariam muito mais bem preparados os profissionais que se formaram num veículo especifico como radio ou tv? Pois nós, jornalistas, em analogia com a classe médica, seríamos os “generalistas da comunicação”, e eles, os especialistas.
    Enfim, respeito a forma como a comissão do concurso definiu seu publico-alvo, pois realmente acredito que haja alguma razão para tal. Mas questiono se a escolha realmente fora a melhor, pois sempre acreditei que grandes empreendedores buscavam os melhores profissionais no mercado para compor sua equipe. E se há um certame, e se há abertura legal para ampliar possibilidades na contratação desses experts, por que não?

    1. Na verdade o que acho é que existe o desconhecimento do curso de Rádio e TV, pois não existem em todas as universidades do País, alguns confundem com cursos técnicos oferecidos, tem gente que nunca ouviu falar… Enfim, a verdade é que o profissional de Rádio e TV tem na sua formação acadêmica o preparo para trabalhar com produção, redação e edição desses veículos. Assim como os jornalistas também têm essas cadeiras. Ambos são profissionais capacitados para ocupar o cargo, não existe o mais habilitado, o que tem conhecimento específico, os dois profissionais podem plenamente atuar nessas áreas. Talvez a Alepe, agora com o conhecimento do curso e baseado na lei que rege a profissão, abra as vagas também para os radialistas poderem concorrer (se não o fizerem, a situação deve ir à justiça). Vai trabalhar lá aquele que melhor se preparou para o concurso e foi aprovado dentro do número de vagas.

  2. Curso de rádio e TV não forma repórter. Se a Alepe está procurando por gente que trabalhe de repórter, o curso deve ser de jornalismo mesmo. Não é apenas porque o trabalho é numa rádio que o profissional de rádio e TV pode ocupar o espaço do jornalista profissional. O sindicato é outro, as convenções trabalhistas são outras, o piso salarial é outro. Vide link.

    1. O Radialista pode produzir materiais audiovisuais, inclusive no texto. Não necessariamente a Alepe está procurando um repórter…

      1. A Alepe, claramente, está contratando alguém que POSSA desempenhar função de repórter e de assessor de imprensa. Note que as atribuições são idêntidas para todos os cargos de comunicação social. A primeira delas é: “realizar a cobertura jornalística onde houver demanda da instituição”; há ainda “redigir textos jornalísticos relacionados às atividades da
        instituição”, “prestar assessoria de
        comunicação” (para os deputados), “assessorar e acompanhar o trabalho dos jornalistas de outros órgãos e entidades que necessitarem de informações sobre as atividades da instituição” (ou seja, assessoria de imprensa). O radialista pode desenvolver essas atividades? Vocês devem lembrar que a negação lógica de “O radialista pode realizar TODAS as atividades previstas” não é “o radialista não pode realizar NENHUMA das atividades previstas”, mas “o radialista não pode realizar ALGUMA das atividades previstas”:(

      2. Bem, não sei como anda a situação, se houve alguma reunião entre Alepe e Sindicato… De toda forma, nas redações de rádio estão contratando muitos radialistas para a função de repórter.

  3. Daniel, o que eu sei é que o pessoal de RTV vai fazer o concurso para os cargos de TV ou de Rádio mesmo sem terem mudado o Edital. Muitos rolos ainda virão caso o pessoal de RTV passe nesse concurso, uma vez que vão tumultuar tudo e, quem não fez por o edital não ter sido modificado, também pode pleitear o direito de concorrer depois. Esperemos as cenas dos próximos capítulos! Essa Lei dos cargos da Alepe devia era continuar com a nomenclatura Jornalista, já que eles impuseram na Lei só formado em Jornalismo. Assim, evitaria essas tretas. Eu hein! Outra coisa: o povo que trabalha lá na Alepe como repórter e comissionado está tudo fazendo cursinho para não perder o cargo. Ou seja, bem provável que as vagas sejam para atuar como repórter.

      1. Se até agora não mudaram, vai ser difícil ocorrer alguma coisa antes da prova. E se não mudar, o máximo que o pessoal de RTV pode fazer é anular o concurso para Rádio e TV.

      2. Deixemos os radialistas correrem atrás disso, vamos correr atrás de garantir a nossa vaga independente de qualquer coisa! Bons estudos a todos!

  4. sou jornalista e quando passei em 1º lugar para o cargo de produtor da radio inconfidencia em 2005 fui barrado por essa máfia sindical que me impediu de tomar posse porque meu registro era de jornalista, não obstante eu sempre ter trabalhado em radio.
    o que sei é que fiz 180 horas de radio no meu curso superior e que quem tem habilitação em uma coisa é apto a exercer a outra, no meu entendimento.o resto é perfumaria sindicalista petralha.
    vou fazer para rádio , seguindo as regras do edital que é soberano.
    impugnar edital depois do concurso realizado, sinceramente, não vejo a menor chance.
    Boa prova para todos

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